Stela Calloni, correspondente argentinaEm contundente carta ao presidente da Casa das Américas, Abel Prieto, a jornalista argentina faz um apelo urgente de socorro à nação cubana e destaca: “Salvar Cuba é salvar o destino da humanidade”

“Já não é hora de comunicados ou assinaturas de protesto, mas de ação”, afirma a jornalista argentina Stella Calloni, em carta a Abel Prieto, publicada em 18 de abril, sobre a urgência de deter a ofensiva dos EUA contra Cuba.

No texto, Calloni destaca que Havana “não está indefesa nem sozinha” e que “uma tentativa de intervenção militar significaria admitir perante o mundo que, há 67 anos, os EUA fracassam”, além de traçar uma retrospectiva das ofensivas imperialistas contra a ilha e contra os povos subjugados do mundo.

É diante desse risco, histórico e permanente, que a escritora exorta o intelectual cubano e atual presidente da Casa das Américas a impulsionar um enfrentamento concreto às ações empreendidas por Washington contra a maior das Antilhas, lembrando: “Salvar Cuba é salvar o destino da humanidade.”

Confira a carta na íntegra:

Muito querido Abel, rogo-te por este meio que sejas um intermediário de vozes perdidas como a minha e tantas outras, para que cheguem ao povo e ao governo cubano com um abraço solidário — um abraço que percorra esse “longo lagarto verde” que é Cuba, a ilha no Caribe que continua dando uma enorme lição à humanidade de dignidade, solidariedade, resistência e criatividade para enfrentar o “gigante de sete léguas”, como José Martí chamou o império.

Faço-o em memória daqueles dias em que, como escritor e figura aberta ao mundo — que continuas sendo como presidente da Casa das Américas —, acompanhaste o comandante Fidel Castro Ruz em tempos de grande criatividade, quando, junto ao comandante venezuelano Hugo Chávez Frías, conseguiram avançar no mais importante projeto de unidade latino-americana de nossa história: a formação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, que ganhou impulso naquele período, assim como tantos outros organismos voltados ao resgate da cultura, da identidade, da memória histórica e à criação de marcos teóricos para abrir caminhos de libertação emancipadora em Nossa América.

Hoje, em tempos de guerra, sob ameaças de intervenção militar em Cuba e diante do maior ataque de terrorismo midiático que já vimos, somado à guerra econômica e aos preparativos militares, chegou o momento de deter a mão da morte, JÁ, pois está em jogo não apenas o destino desse povo amado, mas o de toda Nossa América e da própria humanidade. E trata-se também de um ato de agradecimento neste ano em que se comemora o centenário do líder cubano e universal, o comandante Fidel Castro Ruz, cujo legado assumimos — ou estamos tentando assumir.

Cuba necessita da solidariedade do mundo como nunca antes, o que significa defender o direito à vida, à soberania, à independência e à libertação dos povos subjugados do mundo. Será muito difícil para os Estados Unidos atacarem militarmente Cuba, mesmo neste contexto, diante da evidente reação solidária não apenas dos povos, mas também de governos, que neste momento participam da 4ª Reunião em Defesa da Democracia, em Barcelona, Espanha, convocada pelo presidente Pedro Sánchez, onde a voz de Nossa América já se fez ouvir.

discurso comovente da presidenta do México, Claudia Sheinbaum, enriquecido pela beleza de suas palavras — ao recordar a grandeza de nossas culturas e resgatar vozes das cinzas nunca apagadas de nossos povos originários — foi como um percurso mágico por este continente tão desconhecido e atuou como um bálsamo luminoso de esperança em um mundo em chamas. Vozes que a Europa deveria escutar, para resgatar o melhor de sua história e desterrar para sempre as imposições coloniais, que matam o colonizado, mas também o colonizador.

Diante disso, é preciso destacar que Cuba não está indefesa nem sozinha, e que uma tentativa de intervenção militar significaria admitir perante o mundo que, há 67 anos, os Estados Unidos fracassam, apesar de todas as tentativas de destruir esse pequeno país caribenho, imenso em dignidade, cujo povo jamais puderam submeter.

Parece que os estrategistas militares que cercam Trump esquecem que, por ordem de um presidente que caiu na armadilha de sua própria cegueira e ignorância, tentam resolver o fracasso universal de suas políticas belicistas com a invasão de um país tão pequeno no mapa do mundo. Isso apenas demonstraria um recurso de infinita covardia e aprofundaria ainda mais o atoleiro em que o mandatário se meteu.

Não são bons tempos para o governo dos Estados Unidos, que enfrenta rebeliões internas raramente vistas e parece esquecer que a maioria dos países do mundo — incluindo grandes potências — exige o fim do bloqueio a Cuba imposto há 65 anos, como ocorreu em outubro de 2025, durante a Assembleia Geral da ONU, quando 165 nações renovaram essa exigência. Como vem acontecendo há anos, Estados Unidos e Israel vetaram a resolução, acompanhados por poucos governos submissos.

O certo é que, diante da gravidade das ameaças de Trump, em seus delirantes sonhos de imperador do mundo — tendo advertido nos últimos dias que, ao considerar cumprida sua “expectativa” em relação à República Islâmica do Irã, que lhe infligiu uma derrota moral e militar que se recusa a reconhecer, poderia “fazer uma parada em Cuba”, reafirmando sua disposição de “tomar” (apoderar-se) do país caribenho — já não é hora de comunicados ou assinaturas de protesto, mas de ação: de abandonar os claustros e colocar-se ao lado dos povos, que em Nossa América demonstraram sua eterna resistência, mesmo nos momentos mais difíceis.

Também é necessário lembrar ao mundo que a obsessão por apoderar-se de Cuba é uma exigência permanente do secretário de Estado Marco Rubio e de outros integrantes do atual gabinete, pertencentes ao lobby cubano-estadunidense de Miami — um emaranhado de interesses mafiosos e violentos que se concentra especialmente nessa cidade da Flórida e atua em aliança direta com o lobby sionista dos Estados Unidos.

Desde o início do triunfo da Revolução Cubana, que surpreendeu o mundo no primeiro dia de janeiro de 1959, os antecessores dos lobistas cubano-estadunidenses de hoje tentaram, por todos os meios, recuperar o que consideravam sua ilha — um enclave colonial em um paraíso do Caribe. Nunca o conseguiram, e hoje fazem parte de um poder imperial em decadência e, portanto, cada vez mais agressivo.

Vocês, companheiros, camaradas, os “irredentos” cubanos, derrotaram o império uma e outra vez, inclusive no terreno mais difícil, o militar, com a inesquecível derrota da invasão de Playa Girón, em 1961, executada pela CIA dos Estados Unidos e por seus mercenários e traidores da pátria, recrutados em Miami, Flórida, hoje convertidos em “estrelas” do mercenarismo mundial.

emocionante comemoração do 65º aniversário da vitória em Playa Girón, no último 16 de abril, em Cuba, demonstrou a firmeza de um povo que participou, apesar das imensas dificuldades de mobilização, e evidenciou a sobrevivência de um modelo de dignidade, amor e resistência, em um país submetido a um cerco de caráter quase medieval, levado aos seus extremos.

O povo cubano resiste mantendo sua rotina de vida, seus eventos culturais, educativos, recreativos e solidários, apegado às grandes conquistas — que nenhum país alcançou em níveis semelhantes, apesar das condições de isolamento —, com o espírito indestrutível dos verdadeiramente livres do mundo. Isso ocorre enquanto, em alguns de nossos países, assistimos à violência cotidiana e ao retrocesso cultural, social e econômico de até 100 anos, incluindo, em certos casos, a entrega da pátria, como acontece atualmente na Argentina.

Agora, esse poder errático, em queda livre, acredita que o contexto mundial é favorável para se reapropriar da ilha e já possui, há muito tempo, preparado um “projeto de transição” para uma suposta “democracia” — evidentemente de caráter imperial — que também pretende impor ao mundo, delirando com uma governança global que ignora a realidade.

Esta é mais uma razão para reagir com urgência, pois devemos e podemos deter as ameaças cínicas do imperial-sionismo, que, à medida que se afunda em um colapso cada vez mais evidente, mostra sua “cara limpa”, com uma linguagem arrogante de intimidação, e tenta, de forma grosseira, ressuscitar um capitalismo tardio e uma igualmente tardia tentativa de recolonizar o mundo e instaurar uma ditadura global.

Evidentemente, esta carta não pretende analisar a geopolítica internacional neste momento em que nos encontramos à beira de uma terceira guerra mundial, sentados todos sobre toneladas de armas nucleares que, como nos advertiu Fidel em diversas ocasiões, seriam capazes de fazer desaparecer o planeta Terra em segundos.

Mas é necessário repetir uma e outra vez: Cuba é, de forma permanente, o maior desafio para os Estados Unidos — especialmente diante do caos sistêmico que emerge dos sinais de uma nova ordem mundial, enquanto a atual agoniza produzindo morte. Nesse cenário, o governo imperial se lança pelo mundo na tentativa de recuperar sua hegemonia, invadindo, bombardeando e intervindo em países, e chegando até a atacar alvos diminutos, como lanchas de pescadores mortos por buscarem sustento nas águas do Caribe. Ações sinistras que se multiplicam a cada hora, como estertores desesperados de um fim inevitável.

Os Estados Unidos pretendem impor uma “guerra assimétrica” ou híbrida — como queiram chamá-la — no caso cubano, o que se torna absurdo diante da enorme desigualdade entre a potência que ainda é uma das maiores do mundo e uma ilha de dimensões reduzidas frente a esse colosso. Isso configuraria a mais evidente demonstração de covardia, ao tentar asfixiar uma população que jamais se rendeu.

“Essa intervenção, sustentada pela superioridade militar, por tratados desiguais e pela submissão miserável de governantes traidores, transformou, ao longo de mais de 100 anos (hoje já dois séculos), a nossa América — que Bolívar, Hidalgo, Juárez, Martí, San Martín, O’Higgins, Sucre, Tiradentes e Martí quiseram livre — em zona de exploração, em quintal do império financeiro e político ianque”, afirmava Fidel em um discurso nos primeiros tempos da revolução. Uma análise que se confirma diariamente diante da ofensiva imperial do século 21 sobre Nossa América.

A dignidade de um povo

Por tudo isso, conhecendo o que vocês fazem, dia após dia, para enfrentar a situação, compreendo que o legado que Fidel nos deixou são vocês mesmos: o governo e o povo de Cuba, que se erguem criando novas alternativas e formas de resistência, sustentados pela força de uma profunda convicção em seus princípios revolucionários e universais em favor da humanidade.

O fato de permanecerem de pé, permitindo que os projetos de vida fluam como a água, com simplicidade e humildade, recorrendo a recursos próprios e escassos, e levando ao limite a resistência em condições de grandes sacrifícios — sempre com dignidade —, também nos ilumina em meio à noite de entreguismo e covardia que vivemos em alguns países. E isso não acontece apenas nas nações do chamado “Terceiro Mundo” ou periféricas, mas também naquelas que se autodenominam “ocidente civilizado”, assentado sobre uma das maiores farsas históricas já construídas.

Vocês impuseram a derrota moral mais significativa ao império-sionismo destes tempos em suas veleidades de dominar o mundo. Encerrados na ilha, atravessam magicamente todas as fronteiras com seu exemplo, e não há míssil que possa detê-los.

Advertem o “gigante das sete léguas” de que já não pode, com absoluta impunidade, tentar asfixiar até a morte um povo apenas por ter se libertado de uma condição colonial e por ter se transformado em um modelo em um mundo cruel, injusto e desigual, no qual se pretende instaurar o direito de destruir a humanidade.

Creio, querido Abel, que todos nós, diante do exemplo que vocês nos dão, deveríamos nos perguntar se estamos, se estivemos, à altura dos acontecimentos, que, por razões que devemos estudar profundamente, não fomos capazes de perceber, apesar do que nos advertiam de forma permanente e magistral o Comandante e a direção revolucionária.

Nunca devemos perder a dialética — que é nada mais, nada menos, do que aquilo que se renova de forma permanente — se conhecemos a fundo a realidade e não nos perdemos girando em torno de nós mesmos, nós que somos apenas um grão de areia no planeta Terra. Entendamos o que, na realidade, o marxismo nos legou, não como uma força estática, mas como a possibilidade revolucionária de renovação permanente, sem perder os princípios e sem esquecer que teorias sem ação morrem de morte natural.

Teoria e ação constituem a prática revolucionária que sustentou Cuba no desafio ao maior império da humanidade. Pergunto-me, Abel, se o “gigante das sete léguas”, cego por seu próprio tamanho, não terá dado um passo em falso com suas longuíssimas pernas e, por isso, não pôde ver como Cuba lhe escapava.

Necessitamos, neste momento, de um olhar para dentro, para cobrar de nós mesmos — já, agora — aquilo que deve acontecer em conjunto com a decisão de avançar coletivamente com novas estratégias, entendendo quais são as táticas, isto é, as batalhas que devemos travar por outros meios. Para isso, precisamos recorrer, como nunca antes, à imaginação — como fazem vocês — em ações que, de forma inteligente e criativa, nos permitam iniciar uma resistência ofensiva e final.

Esse olhar retrospectivo vai nos surpreender, pelo que encontraremos entre tantos egos e veleidades de falsos poderes, mas, sobretudo, pela perda de relação com a realidade, apesar de já existirem suficientes “avisos” e advertências sobre as formas selvagens que vinham assumindo as ações de um império em acentuada decadência.

Uma boa parte daqueles que, como nós, se consideram de esquerda ou militantes progressistas foi perdendo influência, ou seja, presença — refiro-me, neste caso, à nossa região — entre uma população que ia ficando cada vez mais nas sombras, desaparecendo na exclusão mais brutal da história.

E isso acontecia, e continua acontecendo, precisamente quando é mais fácil para grande parte da intelectualidade, dos acadêmicos e dos políticos olhar criticamente para os acontecimentos e investigar a fundo a metodologia que o império utiliza para a extinção, ao melhor estilo do nazismo, de uma imensa parte da população, considerada por eles “prescindível”.

Tínhamos e temos os elementos necessários para acessar essas informações, graças às novas tecnologias, tão inalcançáveis para as maiorias, e apesar da censura mundial e criminosa que nos afeta. Precisamente neste momento realiza-se em Havana o Colóquio Internacional Pátria, para discutir o tema da comunicação e seus desdobramentos em um mundo caótico, no qual as novas tecnologias deixam de fora a absoluta maioria da população mundial.

A informação falsa e manipulada, que viola o direito dos povos a uma informação verídica, tenta impor-se hoje como nunca, quando a palavra foi sequestrada e se converteu naquilo que denunciamos há muito tempo: uma arma utilizada pelo terrorismo midiático. Isso nos faz voltar o olhar para o legado de nosso comandante, que, é preciso dizer, reúne os legados de todas as figuras heroicas de nossa história contemporânea, como ele próprio afirmou.

Um legado ainda mais enriquecido nesse breve, porém inesquecível, tempo da unidade emancipatória conquistada graças ao resgate da memória e das culturas das grandes civilizações dos povos nativos, originários de nosso continente, que tantos e tão belos ensinamentos nos deixaram em cinco séculos de resistência.

Estamos discutindo, em inúmeros encontros ao longo de um século, o papel da imprensa e o avanço do império na busca por uma dominação quase absoluta nesse terreno. Está na hora de sair da estagnação e do encantamento com nossas próprias palavras. Denunciamos, uma e outra vez, o que significam a desinformação e a manipulação em massa, bem como o dano que produziram em nossas sociedades por meio de formidáveis textos que — devemos dizê-lo e admiti-lo — circularam entre nós.

Eram e continuam sendo tempos em que os intelectuais deveriam sair de seus claustros e estar onde hoje se encontra o terreno da luta, onde, como nunca antes, a arte, a canção e as múltiplas vozes são tão necessárias. Vimos renascer canções de resistência em toda parte do mundo. É um sinal.

Temos de abrir as janelas da vida e respirar o sopro dos renascimentos que embelezam o mundo. Se a América Latina resistiu por tantos séculos, é porque suas populações tinham raízes próprias, que abarcaram inclusive as ondas de imigrantes, o que significou um sincretismo cultural que escapa a toda rigidez analítica.

Nestas horas, os meios alternativos que sempre existiram, como a “rádio peão”, formas originais dos povos de fazer circular a informação, de se comunicar, inclusive com tambores — elementos básicos em nossas populações, de algum modo menosprezados pelas elites —, são a vida que enfrenta a morte da mentira e da desinformação.

Mas isso nos exige muito mais: fazer “barulho” nas alturas, como aconselhou o papa Francisco, o primeiro “nosso” que este século nos deu. Com a quantidade de personalidades que existem no mundo, com grandes intelectuais e acadêmicos aos quais podemos acessar por meio de nossas redes, assim como aos estratos mais altos da política, ainda podemos fazer “barulho” — e muito — nas esferas superiores.

É urgente fazê-lo, pois existem caminhos abertos para chegar aos organismos internacionais que, mesmo que não respondam devido às suas limitações, obrigariam alguns meios de comunicação importantes a registrar nossa presença.

Poderíamos apresentar, no mais breve prazo possível, um resumo histórico, país por país, sobre o papel da imprensa utilizada como arma de guerra, que levou ao ocultamento de um genocídio em Nossa América no século 20 — não apenas sob ditaduras conduzidas pelo império, mas também por meio de uma dependência brutal que transformou em novos escravos milhões de camponeses e trabalhadores no século passado e ainda neste.

Hoje, à censura mundial imposta, soma-se outro exemplo: a chantagem sionista de utilizar as vítimas do Holocausto nazista do século 20 como escudo para realizar, em seu nome, o mais perverso, cruel e prolongado genocídio — um genocídio lento, cotidiano, registrado e difundido pelo mundo — levado a cabo pelo atual governo de “Israel” contra o povo palestino em Gaza, destruída em 90%, assim como na Cisjordânia e em Jerusalém, desde 7 de outubro de 2023. Um processo que, na realidade, remonta a abril de 1948, com a partilha unilateral da Palestina.

Um genocídio que continua dia após dia e que é respaldado por Trump, a ponto de ele ter proposto a construção, em Gaza, de um centro turístico de luxo — uma Riviera para os ultrarricos do mundo — que seria erguido sobre uma montanha de cadáveres, em sua maioria crianças e mulheres palestinas, sepultadas sob bombardeios incessantes. Os horrores de Gaza levaram a Corte Penal Internacional a declarar como “criminoso de guerra” o primeiro-ministro de “Israel”, o sionista Benjamin Netanyahu, juntamente com parte de seu gabinete, ordenando sua detenção em nível internacional — medida que não tem sido cumprida.

Hoje, 18 de abril, a Corte Internacional de Justiça já avalia como possível declarar “Israel” um Estado genocida. Trump e seu gabinete querem chegar a esse ponto em Cuba?

Querido Abelnão sei se isto é uma carta ou um apelo, mas, já próximo ao final de minha vida, não posso me calar diante da injustiça. Peço-te que solicites ao presidente Miguel Díaz-Canel e a todos aqueles a quem possam recorrer que se declare, aqui e agora, o Holocausto dos povos indígenas em nosso continente ao longo de cinco séculos, e que se ampare hoje seus descendentes, perseguidos na América Latina em um projeto de extermínio que devemos condenar.

E também que se declare o Holocausto na África, pelos anos da escravidão, que levaram aos horrores da caça do homem pelo homem para arrancar vítimas de sua terra e transportá-las em navios em uma travessia desumana, na qual milhares e milhares morreram da forma mais cruel que se possa imaginar, enquanto os sobreviventes eram vendidos nos mercados do mundo. Em março passado, a ONU aprovou, com o apoio de países da África e da América Latina, uma resolução que qualificou a travessia transatlântica de escravizados como o crime de lesa-humanidade mais grave da história.

Abraço-te com imenso amor por esse povo e governo de um pequeno território do Caribe que se tornou um bastião de luzes a iluminar a humanidade. Por isso, é urgente ativar todas as formas de solidariedade, acompanhar os governos que, desde o início, declararam a continuidade de suas relações abertas, sólidas e definidas com Cuba, e recorrer a todos os governos de nossos países e do mundo, aos parlamentos e às organizações populares, porque salvar Cuba é salvar o destino da humanidade.

Tradução Ana Corbisier, tomada de Resumen Latinoamericano/ Diálogos do Sul

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