Gloria Flórez destacou importância da vigilância dos observadores para impedir a fraude da direita (ComunicaSul)

A senadora Gloria Flórez e o porta-voz da campanha, Alirio Muñoz, se reuniram com observadores internacionais dos partidos e movimentos sociais para denunciar a ingerência dos EUA e reiterar a necessidade de redobrar a vigilância nas eleições presidenciais deste domingo

LEONARDO WEXELL SEVERO – DE

BOGOTÁ/COLÔMBIA

COLABORAÇÃO DE CAIO TEIXEIRA

A sede do Pacto Histórico no bairro de Teusaquillo, em Bogotá, reuniu dezenas de lideranças partidárias e de movimentos sociais latino-americanos e de vários continentes no sábado (20) para reforçar a vigilância do processo eleitoral presidencial em que se confrontam o progressista Iván Cepeda e o narcoterrorista Abelardo de la Espriella.

Para a senadora Gloria Flórez, este domingo (21) um dia especial “já que não estaremos apenas jogando o futuro da Colômbia, mas da América Latina, do Caribe e da própria humanidade”. “Porque esta é uma luta contra um projeto de morte, de depredação, de dominação, de eliminação sistemática do que o mundo construiu após a Segunda Guerra Mundial, do sistema internacional de direitos que tem sido uma conquista de todas as nações”, defendeu a reconhecida defensora dos direitos humanos. “Esta é uma disputa contra o senhor Trump e todo o retrocesso que ele representa’’, frisou.

“VENCERÁ UM PROJETO DE VIDA, DE SOBERANIA E AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS”

Gloria assinalou que “diferentes setores democráticos e progressistas dos povos do mundo se unem para garantir que consigamos sair vitoriosos amanhã”. “Seria um sinal de que venceu e triunfou um projeto de vida, de recuperação do multilateralismo, de soberania e autodeterminação dos povos. Ou seja, de que se recupera o sistema internacional como propósito, e a justiça social e a democracia dentro de nossas nações. Esse é o símbolo da eleição de Iván Cepeda e Aida Quilcué”, enfatizou.

A copresidente do Movimento Colômbia Humana alertou que “ao contrário disso, o senhor Abelardo de la Espriella jurou perante os Estados Unidos, para que lhe concedessem a nacionalidade, que iria defender os interesses norte-americanos contra os do nosso país”. “Como pode se autodenominar ‘defensor da pátria’? Da deles ou da nossa? Aqui estamos diante de uma situação extremamente complexa porque, ao jurar que vai defender acima de tudo os interesses dos EUA e quem votar nele estará votando pela submissão, pelo neocolonialismo”, condenou. “Para os democratas, para os que lutamos pela soberania e independência, isso é um completo absurdo”, ressaltou.

Lideranças de vários continentes se somaram em defesa da vitória da democracia (ComunicaSul)

A Constituição dos EUA é contundente: “Pela presente declaro sob juramento que renuncio absoluta e inteiramente e abjuro de toda lealdade e fidelidade a qualquer príncipe potentado, estado ou soberania estrangeira dos quais até agora fui súdito ou cidadão. Que apoiarei e defenderei a Constituição e as leis dos Estados Unidos da América contra todos os inimigos estrangeiros e nacionais. Que terei verdadeira fé e lealdade à mesma. Que portarei armas em nome dos EUA quando a lei o exigir”.

Em relação ao despejo de dólares, que vem inundando a campanha ultradireitista, a senadora acredita que, “apesar das dificuldades que temos com o Conselho Nacional Eleitoral, mais inclinado para a campanha do opositor, e de outras estruturas como a Procuradoria, a quem também foi entregue uma lista de preocupações, esperamos que haja uma resposta para a nossa luta jurídica”. “Sabemos que vamos ganhar e, por isso, estamos preparados para defender a vitória. Esse é o nosso lema no cuidado do voto, em garantir que não roubem as eleições, porque vigilante com a vitória o povo colombiano vai dar sua contribuição à luta democrática da humanidade, à defesa da América Latina e à integração de todos os povos”, reafirmou Gloria.

“TRUMP ESTÁ APOIANDO ABERTAMENTE DE LA ESPRIELLA”

Alirio Muñoz, porta-voz internacional da campanha (ComunicaSul)O porta-voz internacional da campanha e membro da Câmara de Representantes da Colômbia (deputado federal), Alirio Muñoz, destacou que “de forma aberta e descarada, Donald Trump está apoiando pessoalmente De la Espriella. Também sabemos das declarações do senador republicano Bernie Moreno [milionário colombiano naturalizado estadunidense], e de muitas outras ações que explicitam a interferência internacional”.

A vassalagem de Espriella – um renomado advogado de narcotraficantes e milicianos – a Washington é mais do que evidente: anunciou reduzir em 40% o tamanho do Estado a fim de dar completo aval ao “investimento estrangeiro”, por meio do fracking – técnica de perfuração usada para extrair gás natural e petróleo de rochas impermeáveis no subsolo -, de páramos e aquíferos, colocando em risco a imensa biodiversidade. Também se comprometeu em retirar o país da Organização das Nações Unidas (ONU e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vistas como pedras no sapato da oligarquia vende-pátria e do senhor da Casa Branca, ávidos em reassumir os descaminhos do Plano Colômbia e seu banho de sangue.

“Fomos informados de uma pauta vinda dirigida do exterior, dos Estados Unidos e de outros países, numa guerra cognitiva de desinformação e manipulação. Também sabemos sobre a movimentação de muito dinheiro, entre outros apoios. Então, obviamente, o apelo que fazemos é para que se respeite a soberania nacional e a autonomia dos povos. Não aceitamos imposições”, acrescentou o porta-voz.

Diante de tamanha ingerência, condenou Alirio Muñoz, “temos denunciado tais práticas de intromissão perante os observadores internacionais, as missões da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos, mas também perante as missões independentes, de partidos políticos e parlamentares as preocupações diante dessa interferência”. Por conta disso, manifestou o parlamentar, “esperamos que os colombianos e colombianas sejam motivados a votar majoritariamente em Iván Cepeda, porque somos um país soberano, que defende relações internacionais democráticas e igualitárias e que não haja a imposições de potências estrangeiras ou da direita internacional em favor de seu candidato”.

Diante da complexidade da disputa, o porta-voz explicou que o Pacto Histórico conta com um batalhão de milhares de advogados vigilantes e “adotamos uma política de cuidado eleitoral com testemunhas em todas as mesas de votação, com pessoas capacitadas para verificar como os eleitores votam, para que estejam na apuração preliminar, para que nos enviem fotos das atas, onde são registrados os resultados de cada mesa”. A fim de combater a fraude, “temos também uma estratégia própria de monitoramento, de apuração preliminar”.

Sobre o escrutínio, que ocorre com a presença dos juízes da República, “que é o que tem valor legal”, Alírio argumentou que “aí temos advogados com poderes credenciados para que acompanhem a contagem”. “Se tivermos relatos de alarmes ou inconsistências, de mesas suspeitas ou que apareçam com votações atípicas, irregulares, rasuras, emendas, ou com soma aritmética que não coincida, os advogados vão poder, perante os juízes, recontar os votos. Há todo um procedimento para isso”, salientou.

Por conta de tudo o que está sendo definido, reiterou, “a observação internacional mais do que nunca é vital no processo eleitoral, porque contaremos com especialistas, técnicos, missões permanentes e aleatórias nos ajudando a vigiar”. “São pessoas que farão pronunciamentos se virem irregularidades durante o decorrer das eleições. Nós saudamos que haja mais de 1.600 observadores internacionais, muitos deles conhecidos nossos do movimento progressista. Afinal, é preciso cuidar da democracia”, concluiu Alirio.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

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