Representantes de 30 países reiteraram em Bogotá “a importância da eleição do candidato do Pacto Histórico à presidência da Colômbia contra o fascismo”. “Unidos, teremos uma política industrial, científica, tecnológica e econômica soberana”, afirmou o vice-presidente da Internacional dos Serviços Públicos, Federico Dávila

LEONARDO WEXELL SEVERO, DE BOGOTÁ/COLÔMBIA

CONTRIBUIÇÃO DE CAIO TEIXEIRA

Raúl Llarul, jornalista radicado em El Salvador; Pablo Vilas, ex-representante argentino no Parlamento do Mercosul e Federico Dávila, vice-presidente da ISP (ComunicaSul)

O Foro Democracia, Soberania e Defesa da Vida, reuniu representantes de 30 países em Bogotá, nesta sexta-feira (19), onde “reafirmaram a importância da eleição de Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico à presidência, para derrotar o fascismo e construir um caminho de desenvolvimento, distribuição de renda e paz!”.

“O ascenso das extremas-direitas faz parte de uma reorganização autoritária a escala internacional, onde combinam militarização, ódio social, reação cultural, concentração do poder econômico e construção política do medo. A Colômbia é onde busca consolidar-se, articulando discursos de ordem, guerra, inimigo interno e mano dura ‘mão firme’ com interesses geopolíticos, midiáticos e econômicos mais amplos”, assinalou o Pacto Histórico.

Diante disso, o painel Extrema direita, fascismo e guerra: a reorganização autoritária do presente, propôs “ler o segundo turno como uma disputa não só entre candidaturas, mas entre projetos de democracia e barbárie, entre uma política orientada à vida e outra voltada à guerra, à subordinação e ao autoritarismo”.

Debatedores do evento, Federico Dávila, dirigente sindical argentino e vice-presidente da Internacional dos Serviços Públicos (ISP); Pablo Vilas, representante da Frente de Todos no Parlamento do Mercosul, e Raúl Llarul, jornalista, analista político, escritor e dirigente radicado em El Salvador comungaram da relevância das eleições de domingo (21) para a soberania dos nossos países e povos.

“Este é um momento histórico em que se está debatendo não só a Colômbia, mas toda a América Latina, em que o neoliberalismo pretende se firmar por meio da oligarquia financeira que está por detrás do fascismo, de uma direita que é a principal propulsora dessas políticas”, destacou Federico Dávila, denunciando os parasitas que “estão lutando cada vez mais desesperadamente por poder e riqueza”.

Daí a relevância da coesão dos governos progressistas para fazer frente a mafiosos que buscam tomar de assalto o Estado a fim de impor o retrocesso. “Se não estivermos unidos não teremos uma política industrial, tecnológica, científica e econômica, comum e continuaremos sendo partes, fragmentos de algo. Assim, nunca vamos poder nos sentar para debater e lutar pelos nossos direitos. Precisamos ter força de reação”, frisou.

“O POVO POR CIMA DO LUCRO”

Representando 30 milhões de servidores do Estado de 154 países e cerca de 700 organizações sindicais em todo o mundo, a ISP propôs no seu último Congresso a palavra de ordem “o povo por cima do lucro”, lembrou Dávila. Afinal, alertou, são meia dúzia de “grandes corporações financeiras, particularmente internacionais, que manejam não apenas bombas atômicas, mas a inteligência artificial, as novas tecnologias e todo seu aparato de manipulação”.

Sobre a gravidade do momento, o vice-presidente da ISP traçou um paralelo com o vivido posteriormente à Revolução Russa, em que, com medo de perder privilégios, a casta europeia não vacilou. “E o que fizeram? Basicamente a Inglaterra viu os países que limitavam com a Rússia e disse: ‘temos que rearmar a Alemanha para enfrentar os russos’. O que quero dizer? O nazismo e o fascismo foram uma invenção da Inglaterra e dos países europeus que a acompanharam. É isso o que está ocorrendo agora”, explicou.

Federico Dávila: “Contra as privatizações e o retrocesso, hora de eleger Iván Cepeda” (ComunicaSul)

Para o sindicalista argentino, “este novo fascismo está sendo sustentado pelo neoliberalismo desde o Consenso de Washington, uma plutocracia, um governo dos ricos, avesso à democracia”. “Por isso, personagens como Milei”, descreveu, “representam a negação da democracia, que é o poder do povo”.

Entre outros exemplos de agressão não só aos direitos sociais e trabalhistas, como à própria vida de quem pensa diferente, Dávila citou o caso do Panamá, “onde a situação está ainda pior do que da Argentina”. “Lá atacaram os sindicatos e a sociedade civil, iniciando pela representação dos bananeiros e da construção civil. Houve grandes mobilizações de professores, estudantes, indígenas, comunidades afrodescendentes e logo nos primeiros meses houve cerca de seis mortos, seis desaparecidos, vários sindicalistas exilados e outros em prisão domiciliar, longe da cidade para dificultar sua ação. Prova da resistência, tivemos 700 professores presos”.

A perspectiva para virar o jogo, projeta o líder da ISP, é a conformação de uma frente ampla, que fortaleça alianças com movimentos sociais, pequenas e médias empresas. O fato é que os entreguistas vieram para destruir o Estado, asseverou, “por meio das privatizações, de submeter nossos países à política do Fundo Monetário internacional (FMI), da imposição de reformas trabalhistas, que é o que está ocorrendo na Argentina”.

“Voltando ao princípio, insisto que neste domingo está ocorrendo uma batalha sumamente importante, que excede muito ao povo e à sociedade colombiana. Daí o significado do voto em Iván Cepeda”, encerrou Federico Dávila.

“A ULTRADIREITA PLANEJA QUE O POVO CONTINUE PAGANDO A DÍVIDA SOCIAL”

De acordo com Pablo Vilas, “candidaturas como a de Abelardo de la Espriella na Colômbia evidenciam que a direita ultrafascista planeja que o povo continue pagando a dívida social, trazendo sua motosserra, como Milei, para destruir o Estado”.

Infelizmente, refletiu, isso não se dá somente na América Latina, “é a nova ordem que se está construindo de autoritarismo, onde o poder real, as forças econômicas e fascistas vêm se articulando globalmente”.

“Anteriormente, nos anos 70 e 80, tivemos o Plano Condor, com a cumplicidade entre o poder civil e militar, quando nos perseguiram ao longo de todo o continente para nos desaparecer, torturar ou sequestrar. Logo a Escola de Chicago começou a formar nossos ministros de economia, que hoje são os artífices das políticas de pilhagem. Querem continuar parasitando”, acrescentou.

Na avaliação do dirigente, que atuou como parlamentar do Mercosul, na Colômbia, com a eleição de Cepeda para dar continuidade ao governo de Gustavo Petro, “o que se joga é a vida e a morte de um povo, a reconstrução de um espaço de pensamento popular”. “É a força democrática contra a barbárie”, exclamou.

“MODELO NEOFASCISTA DE BUKELE EM EL SALVADOR NASCEU COM A PRIMEIRA FASE DO TRUMPISMO”

Pela experiência vivida com a confrontação diante do terrorismo de Estado de El Salvador, Raúl Llarul memorizou que o “modelo neofascista de Bukele nasceu com a primeira fase do trumpismo, um projeto de repressão e perseguição”.

A imagem de “sucesso”, propagandeada pela mídia para o continente, condenou o analista, “é um modelo plantado pelo império para abandonar o investimento no social pela construção de prisões de segurança máxima”. “Não é por acaso que presidentes ou candidatos, funcionários públicos dos EUA até a Argentina tenham passado a visitar o país para conhecer o infame Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) megaprisão de segurança máxima projetada para abrigar até 40 mil detentos”, citou.

Nossa luta, acredita, é vencer a batalha contra o medo que governos serviçais dos EUA estão tentando impor à sociedade, “medo que se chama incertidão, seja em relação ao emprego, ao salário, à aposentadoria”. “Hoje o medo é perder sua casa, sua família, seus filhos, é dessa forma que explora o fascismo ascendente”.

Alertando para o perigo do avanço do “Escudo das Américas”, e de tudo o que representa em termos de subordinação aos interesses estadunidenses”, Raúl Llarul saudou a postura altiva dos governos da Colômbia, do Brasil e do México contra a política de amém a Trump. “Nossa única opção é lutar, não somente em cada um dos nossos países, mas articular formas de relacionamento público e comunicacional para vencer a batalha que se avizinha. Amanhã, com Iván Cepeda”, concluiu.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

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