
Presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que o apoio amplamente majoritário nas Nações Unidas “é o triunfo da verdade diante daqueles que apostam na mentira e na extorsão para submeter toda uma nação a um castigo coletivo”. “Efeitos cruéis chegam à mesa das famílias cubanas, ao leito de um doente, a um parto ou a uma sala de cirurgia, à alimentação ou à sala de aula de uma criança, à falta de eletricidade, água potável e medicamentos”, denunciou o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez
Enfrentando os estertores de um governo e de um império em decomposição, Cuba, mais uma vez, deu uma lição de dignidade e derrotou a política de bloqueio econômico, comercial e financeiro promovido pelos Estados Unidos. No placar da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quarta-feira (28), ficaram estampados os nomes dos 130 países que votaram ao lado da Ilha caribenha, dos 17 contrários e dos 25 que se abstiveram.
O resultado confirmou o respaldo massivo dos Estados –membros pelo imediato levantamento desta criminosa política, após duas jornadas de debate em que inúmeras delegações denunciaram suas terríveis consequências para a população cubana e o caráter extraterritorial das restrições estadunidenses.
Tal como vem fazendo desde 1960, quando os EUA começaram a sua política de asfixia da revolução, o texto elaborado por Cuba reafirma a igualdade soberana dos Estados e os princípios de não intervenção e não ingerência nos seus assuntos internos, defende a liberdade de comércio e de navegação, princípios consagrados em numerosos instrumentos jurídicos internacionais, condena a imposição de leis unilaterais e apela a todos os Estados para que se abstenham de adotar medidas desta natureza e insta aqueles que ainda as aplicam a revogá-las.
Entre os governos que se mantêm servilmente alinhados à criminosa política de Trump para a Pérola do Caribe estão os de Benjamin Netanyahu (Israel) – responsável pelo genocídio palestino -, e os ultradireitistas Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Abelardo de la Espriella (Colômbia).
“O mundo manifestou-se, mais uma vez, majoritariamente contra o bloqueio, mesmo diante das pressões e chantagens mais grosseiras dos EUA para mudar o rumo desta votação”, afirmou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel. “Este é o triunfo da verdade diante daqueles que apostam na mentira e na extorsão para submeter toda uma nação a um castigo coletivo”, enfatizou.
Em sua intervenção no plenário das Nações Unidas, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, denunciou que os prejuízos do bloqueio norte-americano já ultrapassam 22,9 bilhões de dólares.
“Uma grande potência agride, por meio de uma guerra econômica, um Estado-membro desta organização — uma nação independente, pacífica, solidária e pequena. Faz isso com o objetivo de dominação e de mudança de regime”, condenou o chanceler.
“AS CONSEQUÊNCIAS GRAVÍSSIMAS DO BLOQUEIO RECAEM SOBRE AS PESSOAS”
A agressão inclui um bloqueio de combustível que equivale a um bloqueio naval, salientou Bruno Rodríguez, classificando a medida como um ato de guerra, de punição coletiva e de genocídio, práticas proscritas pelo direito internacional. “Suas consequências gravíssimas recaem sobre as pessoas, limitam seus direitos fundamentais, afetam terceiros países e transformam necessidades essenciais da população em instrumentos de coerção política”, acrescentou.
Na prática, recordou o chanceler, seus efeitos cruéis chegam “à mesa das famílias cubanas, ao leito de um doente, a um parto ou a uma sala de cirurgia, à alimentação ou à sala de aula de uma criança, à falta de eletricidade, água potável e medicamentos, e aos altos preços de bens indispensáveis para a vida”.
Rodríguez Parrilla lembrou que, embora a Assembleia Geral da ONU venha se pronunciando contra o bloqueio desde 1992, desta vez ela o faz em um cenário novo e extraordinário. “O governo dos Estados Unidos desencadeou uma onda de pressões, intimidação e chantagem sobre muitos Estados-membros, com a exigência coercitiva, ilegal, imoral e injustificada de que mudem sua posição tradicional e adotem uma postura contrária àquela que, de maneira fundamentada e coerente, mantiveram por décadas como um ato soberano”, apontou.
CUBA CONDENA “MEDIDAS COERCITIVAS PARA TENTAR DITAR COMO OS PAÍSES DEVEM VOTAR”
Do que se trata, advertiu o chefe da diplomacia cubana, é de definir a posição da Assembleia Geral diante do uso de medidas coercitivas unilaterais para tentar ditar aos demais Estados-membros o que dizer e como votar, com quais nações podem comerciar livremente e com quais não, e para onde suas empresas de navegação podem ou não transportar cargas.
As pressões da Casa Branca também visam determinar com quais países outras nações podem manter relações financeiras e com quais não, alertou, frisando que “hoje, a pressão é dirigida contra Cuba, mas contra qual Estado poderiam empregá-la amanhã?”.
Trata-se, também, ressaltou Rodríguez, de definir se a ONU repudia ou aceita o castigo coletivo e o esforço para dobrar a vontade política de um Estado soberano por meio da asfixia econômica e da imposição da fome, do sofrimento e do desespero a toda a população, ou até mesmo da destruição de uma nação. Recordou, nesse sentido, que o governo dos Estados Unidos intensificou ao extremo a agressão contra Cuba desde o início deste ano, com a pretensão manifestada pública e oficialmente de se apoderar do país, controlar sua economia e exercer dominação.
GOVERNO TRUMP UTILIZOU ABERTAMENTE A AMEAÇA DO USO DE FORÇA MILITAR E IMPÔS DEZENAS DE MEDIDAS ECONÔMICAS
O representante cubano esclareceu que o governo dos EUA “utilizou abertamente a ameaça do uso de força militar e impôs dezenas de medidas econômicas coercitivas — que se somam às existentes há décadas, intensificadas ao extremo desde 2019 e transformadas em um cerco medieval desde o mês de janeiro passado”.
Explicou que, desde julho, a agressão assumiu “uma nova e crua dimensão, com os esforços do governo norte-americano para obstaculizar, dificultar e sabotar o amplo programa de transformações econômicas e sociais que o nosso país traçou soberanamente para o seu ordenamento econômico e empresarial, a fim de se adaptar às mudanças nefastas na ordem econômica internacional e enfrentar a guerra econômica imposta”. Apesar dessa situação, “não desistiremos deste empenho pelo bem-estar e pela dignidade dos cubanos”, sustentou.
O ataque desmedido é feito pela maior e mais corrupta plutocracia da história, onde o dinheiro manda em vez dos eleitores, e que possui o maior e politicamente mais influente complexo militar-industrial”
O ataque desmedido a todo um povo, sublinhou Rodríguez, “é feito pela maior e mais corrupta plutocracia da história, onde o dinheiro manda em vez dos eleitores, e que possui o maior e politicamente mais influente complexo militar-industrial — considerado, para essa democracia disfuncional, um perigo para ela mesma”.
“O bloqueio mata e castiga silenciosamente a nossa população como nunca antes. Desde o início da política de ‘pressão máxima’, a nossa taxa de mortalidade infantil duplicou. Não são estatísticas, não são números; são crianças, são vidas ceifadas ao nascer, causando imensa dor a essas famílias”, advertiu.
“Nenhuma estatística expressa o que significa não ter um medicamento para um filho, ou a espera de uma família por uma cirurgia que é adiada. Hoje, faltam 70% dos medicamentos da lista básica — apesar de podermos produzir todos, ou quase todos eles — e cerca de 100 mil pessoas, incluindo mil crianças, aguardam por cirurgias. Estamos aqui hoje por essas crianças e suas famílias em Cuba. E pelo nosso povo abnegado, estreitamente unido, instruído e consciente, nobre e solidário, patriótico e digno — um povo que não para, que se levanta todos os dias superando obstáculos, buscando soluções e participando delas com um esforço extraordinário. Nenhum povo merece o sofrimento e o abuso que hoje nos são impostos”, reiterou.
Da tribuna da ONU, o chanceler se referiu ao medicamento Pemetrexed, produzido pela empresa Eli Lilly, nos EUA. “É indicado para o câncer de pulmão. No meu país, há pacientes que precisam dele e não conseguem obtê-lo. Não porque não exista, nem porque não pudéssemos pagar; não o temos porque é norte-americano e o bloqueio impede a sua compra. O número de mortes por câncer em Cuba aumentou significativamente”, esclareceu.
“Embora os índices de sobrevivência em Cuba continuem sendo superiores aos da maioria dos países de renda média e baixa — comparáveis aos do ‘primeiro mundo’ e acima das metas da Organização Mundial da Saúde —, eles diminuíram nos últimos anos. No caso de crianças e jovens, a sobrevivência caiu de 85% para 66%, uma tendência que coincide com os momentos mais críticos do cerco energético”, alertou.
Bruno Rodríguez citou o NeuralCIM, um medicamento cubano, “que o bloqueio contra Cuba impede que sete milhões de norte-americanos recebam os seus benefícios”. E estamos falando, recordou, de “um medicamento, que é único e capaz de combater o Alzheimer, a demência senil e doenças neurodegenerativas, com um tratamento de eficácia comprovada incomparavelmente superior à de seus similares”.
“POLÍTICA ABSURDA DO GOVERNO DOS EUA BLOQUEIA TUDO AQUILO QUE SUSTENTA A VIDA”
“Acontece que a política absurda do governo dos Estados Unidos bloqueia tudo aquilo que sustenta a vida. Este medicamento contra o câncer — assim como outro, que contém uma molécula que ajuda milhares de pessoas a retardar o doloroso processo de esquecer — é bloqueado por uma política infame. Não estamos falando de números; estamos falando de vidas, de oportunidades de cura, de tragédias e dos traumas decorrentes das angústias cotidianas enfrentadas pelas equipes médicas e de saúde. A geração de eletricidade por meio de instalações móveis e grupos geradores a óleo combustível e diesel no país foi drasticamente reduzida”, explicou.
O chanceler cubano apontou que seis em cada dez norte-americanos desejam normalizar as relações com Cuba e se opõem a uma ação militar, são contrários a assumir o controle da Ilha e sustentam não confiar nas decisões de seu governo a esse respeito. Além disso, metade dos norte-americanos opõe-se ao bloqueio de combustível, que é apoiado por apenas um quarto deles.
“Para Cuba, não há alternativa. Sob a condução do líder da Revolução Cubana, General de Exército Raúl Castro Ruz, e do presidente, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, persistiremos na defesa da independência e da soberania nacional, e na rejeição às ambições de conquista e dominação de uma potência imperialista. Faremos isso porque são direitos inalienáveis e obrigações irrenunciáveis de Cuba, da nação cubana. Estamos amparados pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas. O que Cuba reivindica é que a deixem em paz, que permitam ao povo cubano viver em paz, resolver pacificamente os nossos próprios problemas e encontrar soluções para as grandes dificuldades do mundo atual, livres de agressão política, militar, cognitiva ou econômica”, sublinhou.
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