Porfírio Cochi, pesquisador e cientista social boliviano

Neste artigo, o pesquisador e cientista social boliviano Porfirio Cochi destaca a relevância da vitória de Lula nas eleições presidenciais do Brasil, para o fortalecimento do campo popular na disputa por “um modelo de desenvolvimento próprio, construído a partir de nossas realidades e particularidades históricas, sociais, econômicas e culturais”. “Esse resultado reabre o debate sobre a autonomia da América do Sul frente às grandes potências e às pretensões de ingerência externa do governo Trump”, sustenta

Na semana passada, na Bolívia, vários jornalistas e analistas, na mídia e nas redes sociais, previam o fim dos governos progressistas na região. Diziam que Bolsonaro venceria no Brasil e que o chamado “populismo” chegaria ao fim, e esperavam que a região seguisse o caminho dos governos de extrema-direita dos países vizinhos. Contudo, essas previsões caíram por terra quando o resultado eleitoral foi conhecido. Luiz Inácio Lula da Silva, operário metalúrgico e líder do Partido dos Trabalhadores (PT), foi eleito presidente do Brasil.

O resultado eleitoral no Brasil — o maior país da América do Sul e uma das potências mundiais na região — possui um grande significado geopolítico para a América Latina e, especialmente, para os bolivianos. As relações estratégicas entre a Bolívia e o Brasil adquirem uma relevância fundamental na disputa por um modelo de desenvolvimento próprio, construído a partir de nossas realidades e particularidades históricas, sociais, econômicas e culturais. Além disso, esse resultado reabre o debate sobre a autonomia da América do Sul frente às grandes potências e às pretensões de ingerência externa do governo Trump.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva representa um freio ao avanço das forças conservadoras, reivindica a soberania nacional e abre novas possibilidades para fortalecer a integração regional e a cooperação Sul-Sul. Esse acontecimento político evidencia os grandes desafios enfrentados pelas esquerdas e a necessidade de reconstruir projetos políticos que articulem demandas populares, recuperem a democracia e reduzam as lacunas da desigualdade social.

A eleição de Lula no segundo turno constituiu um acontecimento político de grande relevância. Sua vitória silenciou os jornalistas e analistas que haviam dado como certa a eleição de Bolsonaro. Alguns desses jornalistas e analistas, ao verem os resultados, atribuíram a derrota de Bolsonaro a erros cometidos no último debate; essa explicação mostrou-se insuficiente, pois deixou de lado um fator decisivo: a grande mobilização popular que se espalhou por todo o Brasil para reverter os resultados do primeiro turno.

Milhões de brasileiras e brasileiros, especialmente jovens de setores populares que não militam necessariamente no PT, mobilizaram-se para apoiar Lula. A cidadania assumiu o protagonismo, impulsionando iniciativas próprias de organização, divulgação e mobilização eleitoral, superando as estruturas partidárias tradicionais. Essa participação contribuiu para ampliar a campanha, disputar o voto dos cidadãos e transformar a eleição em uma expressão de resistência democrática diante do projeto liberal e fascista de Bolsonaro.

A mobilização cidadã também evidenciou a disputa entre dois projetos políticos e econômicos: de um lado, a defesa da democracia, da soberania nacional, das conquistas sociais e de um modelo de desenvolvimento com maior inclusão; de outro, a emergência do projeto liberal e conservador que representa o capitalismo selvagem, neoliberal e contrário aos direitos sociais, promovendo a subordinação aos interesses transnacionais e às políticas do “Escudo das Américas”.

Para os bolivianos e bolivianas, o resultado eleitoral no Brasil constitui uma grande lição democrática e política. Ele nos recorda que a cidadania não deve se limitar ao ato de votar; é preciso também nos organizarmos, nos mobilizarmos e participarmos ativamente na defesa de todos os nossos direitos, da democracia, da vontade popular, da liberdade de expressão e das conquistas sociais — conquistas que, hoje, na Bolívia, encontram-se em risco, uma vez que o governo de Paz Pereira definiu claramente uma política de subordinação aos ditames do governo Trump, no âmbito do “Escudo das Américas”, e governa para as empresas transnacionais, e não para os milhões de bolivianos e bolivianas que, neste momento, vivem em situação de vulnerabilidade.

 

BRASIL Y BOLIVIA: LA MOVILIZACIÓN POPULAR, LA DEMOCRACIA Y LOS DESAFÍOS DE LAS IZQUIERDAS LATINOAMERICANAS

La semana pasada en Bolivia, varios periodistas y analistas en medios y redes sociales predecían el fin de los gobiernos progresistas en la región. Decían que Bolsonaro ganaría en Brasil y que el llamado “populismo” terminaría, y esperaban que la región siguiera a los gobiernos de ultraderecha de los países vecinos. Pero esas predicciones se rompieron cuando se conoció el resultado electoral. Luiz Inacio Lula Da Silva, obrero metalúrgico y líder del Partido de los Trabajadores (PT), fue elegido presidente de Brasil.

El resultado electoral en Brasil, el país más grande de Sudamérica y una de las potencias mundiales en la región, tiene un gran significado geopolítico para América Latina y, especialmente, para los bolivianos. Las relaciones estratégicas entre Bolivia y Brasil adquieren una relevancia fundamental en la disputa por un modelo de desarrollo propio, construido desde nuestras realidades y particularidades históricas, sociales, económicas y culturales. Asimismo, este resultado reabre el debate sobre la autonomía de Sudamérica frente a las grandes potencias y las pretensiones de injerencia externa del gobierno de Trump.

El triunfo de Luiz Inacio Lula da Silva representa un freno al avance de fuerzas conservadoras, reivindica la soberanía nacional y abre nuevas posibilidades para fortalecer la integración regional y la cooperación sur‑sur. Este acontecimiento político muestra los grandes desafíos para las izquierdas y la necesidad de reconstruir proyectos políticos que articulen demandas populares, recuperen la democracia y cierren las brechas de desigualdad social.

La elección de Lula en segunda vuelta constituyó un acontecimiento político de gran trascendencia. Su victoria dejó callados a los periodistas y analistas que habían asegurado la elección de Bolsonaro. Algunos de esos periodistas y analistas, al ver los resultados, atribuyeron la derrota de Bolsonaro a errores cometidos en el último debate; esta explicación resultó insuficiente, pues dejó de lado un factor decisivo: la gran movilización del pueblo que se desplegó en todo Brasil para revertir los resultados de la primera vuelta.

Millones de brasileñas y brasileños, especialmente jóvenes de sectores populares que no necesariamente militan en el PT, se movilizaron para apoyar a Lula. La ciudadanía asumió el papel protagonista, impulsando iniciativas propias de organización, difusión y movilización electoral, superando las estructuras partidarias tradicionales. Esta participación contribuyó a ampliar la campaña, disputar el voto ciudadano y convertir la elección en una expresión de resistencia democrática frente al proyecto liberal y fascista de Bolsonaro.

La movilización ciudadana también puso en evidencia la disputa entre dos proyectos políticos y económicos: por un lado, la defensa de la democracia, la soberanía nacional, las conquistas sociales y un modelo de desarrollo con mayor inclusión; por otro lado, la emergencia del proyecto liberal y conservador que representa al capitalismo salvaje, neoliberal, anti‑derechos sociales y promueve la subordinación a los intereses transnacionales y a las políticas del Escudo de las Américas.

 

Para los bolivianos y bolivianas, el resultado electoral de Brasil se constituye en una gran lección democrática y política. Nos recuerda que la ciudadanía no debe limitarse a asistir a votar, sino que también debe organizarnos, movilizarnos y participar activamente en la defensa de todos nuestros derechos, la democracia y la voluntad popular, la libertad de expresión y la defensa de las conquistas sociales, que hoy por hoy, en Bolivia, están en riesgo cuando el gobierno de Paz Pereira claramente ha definido una política de subordinación a los dictados del gobierno de Trump en el marco del Escudo de las Américas y gobierna para las transnacionales y no para los millones de bolivianas y bolivianos, que en estos días se encuentran en situación de vulnerabilidad.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *