
Preço anualizado aumentou 53,6% em junho, apurou a Câmara da Indústria e do Comércio de Carnes e Derivados
Alimento essencial na mesa dos argentinos, a carne bovina – e o tradicional churrasco – atingiu em junho o pior consumo das últimas três décadas, impulsionado pela enorme perda do poder aquisitivo da população, pelo aumento vertiginoso dos preços e por um maior desvio da produção rumo ao mercado externo, especialmente para os Estados Unidos.
De acordo com a Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da República Argentina (Ciccra), o abastecimento do mercado interno registrou uma queda de 11,5% em relação ao mesmo período do ano anterior entre janeiro e junho, enquanto as exportações aumentaram 10,2%. A menor oferta de gado reduziu a atividade dos frigoríficos, e o aumento dos preços afetou a demanda interna, apontou um relatório da Ciccra.
No total, os argentinos consumiram 1.019.430 toneladas de carne bovina com osso, o que representa cerca de 132 mil toneladas a menos em comparação com o mesmo período do ano anterior. No prato da população isso significa que o consumo anualizado per capita caiu para 47 quilos por habitante, um recuo de 8,2% em relação ao ano passado (4,2 quilos a menos de carne bovina por pessoa), o menor valor registrado para um primeiro semestre desde meados da década de 1990.
Conforme dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), processados pelo Ciccra, o aumento relativo do preço da carne em comparação com outros produtos da cesta básica foi o fator determinante na mudança dos hábitos das famílias. O setor geral de carnes e derivados acumulou um aumento de 45% nos últimos doze meses, superando com folga os 33,5% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). A carne bovina disparou 53,6% ao ano contra 29,9% do frango inteiro.
Na avaliação dos economistas, “a diferença acentuada incentivou as famílias a optarem por alternativas mais econômicas”. Além disso, os aumentos mais expressivos concentraram-se nos cortes de maior demanda: a carne moída comum liderou os aumentos com 56,2%.
Durante o primeiro semestre, foram abatidas 6,02 milhões de cabeças de gado (-8,9%), o que reduziu a produção total de carne para 1,428 milhão de toneladas (-6,2%). No entanto, apesar da menor produção, as exportações cresceram 10,2%, atingindo 408.600 toneladas. A prioridade ao mercado externo fez com que a parcela de carne destinada ao mercado local fosse reduzida de 75,6% para 71,4%, enquanto as exportações passaram a representar 28,6% da produção nacional.
