Juan David Castañeda, José Bolívar Bernal e Heidy Milena Bidal Lopez: sindicalistas mobilizam as bases e suas famílias pela vitória progressista (ComunicaSul)

Sindicato do Aterro e Internacional dos Serviços Públicos (ISP) unem forças pela eleição de Iván Cepeda à presidência da Colômbia e mobilizam bases contra tentativa da ultradireita de “assaltar os direitos sociais e trabalhistas conquistados no governo de Gustavo Petro”

LEONARDO WEXELL SEVERO, DE BOGOTÁ/COLÔMBIA

Esta fria quinta-feira (18) em Bogotá começou quente em volta do fogo à lenha no bairro de Mochuelo, a mais de uma hora ao sul da cidade. Na rua, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores do Aterro Sanitário da capital colombiana (Sintrarebo), que representa igualmente os vizinhos municípios de Fosca, Cáqueza, Cloachí, Chipaque, Une, Ubaque e Gutiérrez, iniciavam a preparar o delicioso “sancocho”, sopa recheada de carnes de frango e bovina, milho, mandioca, batata e um refogado de cebola, alho e coentro, entre outras especiarias.

Cerca de 500 trabalhadores, entre diretos e terceirizados, recolhem as sete mil toneladas diárias, em condições precárias, degradantes e perigosas, além de enfrentar o odor característico, que pela intensidade chegava até o local.

O representante da Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Oscar Parra (ComunicaSul)

Com o segundo turno das eleições presidenciais marcado para o próximo domingo (21), o Sintrarebo e a Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Federação que reúne mais 30 milhões de servidores de 700 sindicatos de 150 países, decidiram realizar uma “panela comunitária” para congraçamento e reflexão. Uma oportunidade de colocar em pratos limpos a trajetória do candidato da oligarquia vende-pátria e de Donald Trump e convocar o voto em Iván Cepeda, o nome das forças progressistas.

“Abelardo de la Espriella, a ultradireita e sua privatização é que são o lixo. Nos reunimos para construir uma Colômbia melhor para todos”, sentenciou José Bolívar Bernal, secretário-geral do Sindicato, condenando o retrocesso.

“Com Iván Cepeda temos a vantagem de continuar avançando, pois o desemprego vem diminuindo e as cestas básicas estão um pouco mais cheias”, afirmou o sindicalista, ressaltando que agora existem melhorias palpáveis como o bônus previdenciário vitalício para as ex-mães comunitárias que não haviam conseguido se aposentar.

“Hoje temos relações de diálogo com o governo nacional, com o presidente Gustavo Petro, que respeita as nossas entidades representativas. Agora imaginem o que seria com um advogado que não defende apenas narcotraficantes, mas elementos como o pastor evangélico Álvaro Gámez, acusado de estuprar 27 mulheres e meninas dentro da sua própria igreja. Isso é o mais grave: teríamos na presidência um sujeito pronto para fazer tudo por dinheiro”, denunciou José Bolívar.

Para o secretário-geral do Sintrarebo, o que está em jogo neste domingo, “é a manutenção de muitos benefícios conquistados pela classe trabalhadora, que ganhamos por meio da luta sindical, e que a empresa tentou evitar, contratando pessoal de forma terceirizada para não garantir os direitos da Convenção Coletiva”. “Se os trabalhadores obtiveram recentemente avanços como o aumento do salário digno (23,7% contra uma inflação de 5,2% no último ano), o reconhecimento das horas extras, o pagamento dos adicionais noturnos, dos dias festivos e dos domingos, o que esperar do candidato da ultradireita?”, questionou.

Em especial para a nossa categoria, explicou Bolívar, conquistamos o serviço de restaurante – que hoje pagamos 1.000 pesos (R$ 1,50) por alimentação – a limpeza e a costura das nossas vestimentas, que tínhamos de retirar e remendar para colocar no outro dia. “Em um lugar tão perigoso, com um ambiente tão pesado como o aterro sanitário, nem mesmo elementos de proteção pessoal nos davam. Também passamos a ter acesso ao serviço de lavanderia. Antes tínhamos de levar a vestimenta poluída e levar a contaminação para as nossas casas”, acrescentou.

ISP NA LINHA DE FRENTE CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E O NEOLIBERALISMO

O representante da Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Oscar Parra, destacou “a relevância da iniciativa eleitoral para a América Latina, numa conjuntura de ameaças à classe trabalhadora, de privatização e reformas neoliberais”. Oscar assinalou que a Federação que reúne mais 30 milhões de servidores de 700 sindicatos de 150 países está atenta e mobilizando suas bases, “pois se a ultradireita chegasse ao governo colombiano traria consigo uma perigosa onda de perseguições que não atingiria somente o movimento sindical, que seria a primeira linha de defesa dos direitos a ser combatida, mas também as comunidades indígenas, afrodescendentes e o conjunto da juventude”.

“Buscariam que perdêssemos todos os espaços que adquirimos neste governo democrático, atacariam o meio ambiente, as condições de trabalho e de saúde públicas. Por isso estamos aqui contra o retrocesso e em defesa de um candidato progressista, para que nossos direitos não fiquem vulneráveis e progridam. Mais do que nunca, é hora de ir às urnas!”, enfatizou Oscar. Embora o voto na Colômbia não seja obrigatório, disse, a abstenção do eleitorado – que foi de 42,28% no primeiro turno – serviria como arma para os que querem nos destruir.

Para Heidy Milena Bidal Lopez, vice-presidente do Sindicato, “como advogado, De la Espriella sempre se empenhou em defender gente com muitos problemas. Agora quer a presidência para privatizar tudo e retroceder os vários avanços que Petro conseguiu”. “Na verdade, vejo sua figura como alarmante para o país. E é algo muito preocupante não só como cidadã, mãe e esposa, mas também como representante dos trabalhadores do sindicato que pertencemos. O fato é que passaríamos a ser atacadas pelo governo em todas as frentes, em todos os nossos direitos”, descreveu.

“Como cabeça de família e como mãe tivemos um aumento salarial real. Com isso pudemos dar uma vida um pouco mais digna aos nossos filhos e aos nossos maridos. Com o candidato da ultradireita, não seria assim. Porque ele quer minimizar tudo: salários, direitos, pensões”, assinalou a dirigente.

Petro busca valorizar o estudo, procurando garantir estabilidade no emprego aos jovens e uma aposentadoria digna aos idosos”

Heidy acredita que o trabalho que o presidente Petro vem fazendo busca “valorizar o estudo, procurando garantir estabilidade no emprego aos jovens e uma aposentadoria digna aos idosos”, ao passo que De la Espriella “viria para impor uma agenda de fora, de escravização do país”. “E o que estamos falando é uma escravitude trabalhista, de nos tornar ignorantes, sem educação pública, sem profissionais qualificados. Portanto, não podemos seguir o caminho que este senhor está apontando”, definiu.

De acordo com o jovem Juan David Castañeda, fiscal do Sindicato, Cepeda é o caminho para o desenvolvimento com justiça social e redistribuição de renda. Caso a candidatura das forças populares fosse derrotada, alertou, “problemas como o descumprimento da Convenção Coletiva e da terceirização só se agravariam – e se espalhariam”. “Hoje no Aterro Sanitário somos cerca de 250 trabalhadores formais e 250 terceirizados. Nossa luta é para garantir o acesso aos direitos, como almoço e bônus, a quem ainda não tem incorporado. Com um governo de ultradireita todos teriam salários reduzidos e os direitos desapareceriam”, advertiu.

Diana Casto: “Está em jogo o futuro da Colômbia” (ComunicaSul)

Da base do Sindicato, Diana Casto compareceu à atividade por acreditar que “está em jogo o futuro da Colômbia”. Estamos numa encruzilhada, reiterou, “em que vamos decidir o futuro dos nossos páramos, dos nossos animais, de nossa espécie, dos nossos filhos e de todos nós”. Caso não elejamos Cepeda, demarcou, “iriámos nos tornar escravos de um país como os EUA que iria nos deteriorar como humanidade”.

Pelo apoio de Javier Milei a De la Espriella, condenou Javier Beltran, “dá para ver que tipo de regime querem implantar: a Colômbia passaria a ter salários completamente arrochados como os argentinos, com gente trabalhando 12 horas diárias, sem acesso a nenhum direito”.

O fascismo e o neoliberalismo no poder, opinou, “colocariam nossa liberdade em jogo em troca de negócios com os Estados Unidos”. E o que é ainda pior, adicionou Beltran, “uma vez que o direitista é americano e italiano, logo iria abandonar o país e nos deixar sofrendo. Ao contrário, Cepeda representa vida e oportunidade para os colombianos, liberdade para que todos possamos desfrutar”.

Vestindo uma jaqueta do Sindicado do Aterro e um boné da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) da Colômbia, Albeiro Tovar lembrou que “são mais de 200 anos de história, de sangue e luta de todo um povo para sair da escravidão e que precisam ser valorizados”. “A partir de domingo decidiremos se vamos continuar sendo livres ou se voltaremos a ser submissos aos estrangeiros, que viriam para acabar com os nossos bosques, nossas águas, nossas imensas riquezas e para dolarizar a economia. Por isso o meu voto é Cepeda”, concluiu.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

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