“Doutrina Monroe tem legado de instabilidade política, pobreza, imigração extrema e colonialismo na América Latina”, contesta deputada Ramirez (Foto do site da deputada)

Enquanto a fuga de Trump com pavor do Irã, escondido em um contêiner de comida, virava notícia no mundo inteiro, seu secretário de Estado, Marco Rubio, divulgou um vídeo na rede social X alardeando que a “dominação dos EUA no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionada” e a atualidade da Doutrina Monroe – aliás, ‘Donroe’.

A deputada democrata Delia Ramirez condenou a apresentação de Rubio, requentando a velha doutrina ao classificar o vídeo do Departamento de Estado como “peça barata de propaganda imperialista”.

Ela afirmou que “o legado da doutrina Monroe é a instabilidade política, pobreza, imigração extrema e colonialismo através da América Latina e o Caribe”. Ramirez nasceu nos EUA e é filha de imigrantes da Guatemala.

“Apesar do que os belicistas querem que você acredite, a Doutrina Monroe mina as parcerias necessárias para enfrentar nossos desafios complexos. Precisamos mudar de rumo”, enfatizou.

O fato de o próprio Trump ter executado sua ascensão à Casa Branca sob o slogan de “Make America Great Again” é, por si só, uma confissão da decadência que aflige os EUA e, portanto, de que sua dominação está minguando.

Quanto à pretensão de que essa dominação “nunca mais será questionada”, está aí à vista de todos quem é que está apanhando no Irã.

E de como foi para o vinagre o “mundo unipolar” – a ditadura dos EUA sobre o planeta vigente nas últimas décadas -, enquanto a China, a Rússia, a Índia, o Brasil, a África do Sul e a Maioria Global vão levando de roldão as teias de aranha.

O lema da Doutrina Monroe era “a América para os (norte) americanos”, mas, segundo o libertador, Simón Bolívar, “os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a assolar a América de misérias em nome da liberdade”. Ou, conforme seus vizinhos de fronteira, “Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”.

Foi ao seu abrigo que Washington desencadeou sua expansão imperial, na Guerra hispano-americana, depois de ter invadido e tomado metade do México.

E na descrição famosa do general Smedley Butter, ele e seus marines passaram 33 anos atuando como “capangas de aluguel” e gângsters a serviço de Wall Street, dos grandes negócios e da United Fruit, “a bandeira seguia o dólar, e os soldados seguiam a bandeira”.

Depois do interregno da Política de Boa Vizinha de Franklin Roosevelt, viria o golpe na Guatemala, a Guerra Fria, Baía dos Porcos, a crise dos Mísseis, bloqueio a Cuba, a fieira de golpes na América do Sul e a guerra suja na América Central, o continente esfolado sob o Comitê dos Bancos Credores e o FMI, o “Consenso de Washington” e as privatizações em massa, até a maré virar e vários governos populares assumirem as rédeas e, agora, o fascismo de novo botar sua cara feia pra fora da toca.

A bem da verdade, a anterior tentativa de perpetuar a Doutrina Monroe, a Operação Condor, no século passado, acabou escorraçada pelos povos latino-americanos, uma ditadura após a outra.

“NARCO RUBIO”

Conhecido na comunidade gusana de Miami como “Narco Rubio”, devido aos laços familiares no quesito narcotráfico, o secretário de Estado está empenhando se tornar sucessor de Trump na Casa Branca como executor dessa política de submeter o quintal dos fundos do falido império e tem desfilado ao lado de energúmenos como Milei e Noboa.

Apresentado pelo embaixador norte-americano no Panamá, Kevin Marino Cabrera, o vídeo é construído em torno de uma frase de Trump em um comício: “a dominância norte-americana no hemisfério ocidental nunca será questionada de novo”.

A escolha de Cabrera é óbvia: Trump vive prometendo retomar o Canal do Panamá, e entre seus alvos prediletos, candidatos a “51º estado”, estão ainda o Canadá, a Groenlândia, o Golfo “dos Estados Unidos” e, mais recentemente, a Venezuela, melhor dizendo, o petróleo da Venezuela.

A referência a James Monroe é só pretexto para ensalçar a intervenção norte-americana na Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolas Maduro e sua esposa, a ameaça premente contra Cuba, sob bloqueio naval que impede o fornecimento de petróleo, visando torná-la uma “Gaza silenciosa”, e a aberta interferência em eleições na América Latina, as últimas na Colômbia e Peru. Mas, no Canadá, interferência de Trump acabou garantindo a vitória da situação.

DONROE

Em junho, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, após declarar que “a doutrina Monroe está de volta em efeito total e mais forte que nunca”, renomeou-a, atualizando, de “Doutrina Donroe” – a fusão da ideia original com o trumpismo mais delirante.

Enquanto isso, a China segue avançando em sua relação com as nações soberanas latino-americanas e caribenhas, das quais é em geral o principal parceiro comercial e, crescentemente, o decisivo investidor no desenvolvimento da infraestrutura.

HORA DO POVO

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