
Partido Liberal denunciou ao Ministério Público que “uma fazenda de bots divulgou e distorceu a opinião das pessoas por meio das redes sociais”. “Foi uma estratégia de manipulação e fraude cibernética”, frisou o Partido Libre
O Partido Liberal entrou na semana passada com uma ação no Ministério Público de Honduras contra a armação do “estrategista” argentino Fernando Cerimedo, fundador do jornal La Derecha Diario, enviado por Trump para assessorar a campanha de Nasry Asfura, eleito presidente do país centro-americano em 30 de novembro.
“Quanto pagaram a Cerimedo? Porque todas essas coisas influenciaram com uma fazenda de bots que divulgou e distorceu a opinião das pessoas por meio das redes sociais”, declarou Salvador Nasralla, candidato à presidência pelo Partido Liberal, destacando a necessidade do povo ser plenamente informado da verdade dos fatos.
“Cerimedo também pagou jornalistas, comunicadores e influenciadores. Se a linha discursiva era imposta pelos bots, a mídia a ampliava e, em seguida, os bots comentavam sobre essa informação amplificada. Um ciclo de mentiras. E, quando alguém caía na dinâmica de desmentir ou atacar essas mentiras óbvias, apenas as tornava maiores. Uma gigantesca bola de neve que esmagou tudo. Que deixou a verdade e a cidadania soterradas”, acrescentou o secretário de Relações Internacionais do Partido Liberdade e Refundação (Libre), Gerardo Torres Zelaya.
Nasralla também fez referência a investigações realizadas na Bolívia e no Chile envolvendo o assessor trumpista. Na sua avaliação, a Justiça hondurenha deve se pronunciar sobre a interferência estrangeira no processo eleitoral, assim como está sendo apurado nos demais países.
O ex-candidato sustentou que a investigação deve explicitar quem contratou Cerimedo, o período em que ele prestou serviços e de onde vieram os recursos destinados a pagar pelo seu trabalho. “Quem o contratou como assessor e por quanto tempo? Como os serviços dele foram financiados? Qual é o valor dos pagamentos feitos pelo Partido Nacional?”, questionou Nasralla.
Além disso, foi solicitado ao Ministério Público que se determine se Cerimedo teria aportado recursos provenientes do exterior para a campanha política em Honduras, bem como se utilizou ferramentas tecnológicas para gerar ou amplificar artificialmente conteúdos de caráter político.
A ação também solicita que se investigue a entrada de dinheiro ilegal no país. O partido sustenta que cabe à Unidade de Política Limpa – Unidade de Financiamento, Transparência e Fiscalização (UFTF), órgão encarregado de auditar e supervisionar os recursos públicos e privados de partidos políticos, movimentos internos e candidatos – determinar se esses dólares entraram no país e se foram utilizados durante a campanha. “A Política Limpa tem que investigar primeiro Cerimedo, porque Cerimedo trouxe 350 mil dólares para Honduras. E isso, sim, é contra a lei”, assinalou.
LIBRE DENUNCIA GOLPE DE ESTADO ELEITORAL
O ex-ministro de Planejamento Estratégico, Ricardo Arturo Salgado Bonilla, do Partido Libre, também acusou Cerimedo de participar de um “Golpe de Estado Eleitoral”. Conforme Bonilla, com base em declarações do próprio Cerimedo, foi executada em Honduras uma estratégia de manipulação e fraude cibernética para inflar votos contrários à esquerda continental. O Libre apontou formalmente o assessor de campanha de Asfura, exigindo investigações sobre seu papel em ameaças e ações que violaram a democracia do país.
Parlamentares hondurenhos afirmam ter detectado perfis falsos e contas estrangeiras que multiplicavam conteúdos favoráveis a Asfura, impulsionavam tendências e projetavam uma imagem de maior apoio no ambiente digital.
Em agosto de 2026, Cerimedo foi detido na Bolívia e teve a prisão preventiva decretada no âmbito de uma investigação sobre uma tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, Nadia Beller, grávida de quatro semanas, após um ataque armado em Santa Cruz de la Sierra.
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