Cyntia Rossini realizou uma sessão de autógrafos

O encontro na Subsede Sudeste-Centro da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) valorizou não apenas a cultura musical – com excelentes e variados ritmos – mas também a rica escrita, com o relançamento do livro “21 dias – Memórias de uma ocupação estudantil”, da historiadora e pedagoga Cyntia Rossini. A iniciativa teve como objetivo distribuir gratuitamente exemplares que serão encaminhados para as Subsedes do ABC.

Refletindo sobre as três semanas da tomada em 2015 da Escola Estadual Caetano de Campos da Aclimação, na capital paulista, onde lecionava, Cyntia destacou o protagonismo e a relevância de jovens que, “somando forças e consciências”, demarcaram campo por um ensino público de qualidade.

Por meio de relatos e reflexões acerca do projeto de desmonte da escola pública no Brasil, a autora descreve o movimento – que ficou conhecido como a “Primavera Secundarista” – colocando em evidência, nas mídias sociais e jornalísticas nacionais e internacionais, milhares de estudantes e centenas de escolas.

Na época, a autora conseguiu enviar exemplares, sem custos, para dezenas de escolas, universidades, centros de cultura e bibliotecas públicas pelo Brasil, mas, por falta de verba e logística, os livros não chegaram às escolas ocupadas no ABC. “Agora, aproveitando o convite para esse evento que reuniu tantos professores, alguns exemplares terão um destino muito especial”, apontou.

A professora Monica Fonseca Severo; Regina Sena, da coordenação da subsede e a autora

“APRENDIZADO, UNIÃO E ESPÍRITO COLABORATIVO”

Em um momento em que “soava arriscado”, Cyntia participou ativamente de todos os dias da ocupação com os alunos e demais professores apoiadores, “momentos de tensão e euforia”, descrevendo o valor inestimável daquela “atmosfera de aprendizado, união e espírito colaborativo”.

Com artigos e entrevistas, a autora dá espaço ao protagonismo do jornal “Voz Ativa”, do Grêmio da escola, recorda “os antecedentes da ocupação” e reitera “o direito de ocupar o espaço público” para respeitar e enaltecer o bem comum.

A foto da capa fala por si, homenageando os estudantes franceses que, em maio de 1968, depois de se organizarem em comitês de ação, iniciaram uma manifestação em defesa de uma reforma educacional. “Seu estímulo reuniu milhares de pessoas, culminando em protestos reivindicatórios de diversos setores da sociedade para que fossem atendidas outras demandas da população francesa”, assinala a autora, destacando “o valor de saber agregar para isolar o inimigo e derrotá-lo”.

“BARRAR O RETROCESSO PRIVATISTA E DESNACIONALIZANTE”

O presidente interino da Apeoesp, Roberto Guido, prestigiou o evento

“É o momento que estamos vivendo aqui e agora, quando lutamos para barrar o retrocesso neoliberal, privatista e desnacionalizante, que quer fazer o país colônia de uma potência estrangeira. Para este projeto, a destruição da educação se encaixa como uma luva”, frisou Cyntia.

A autora apontou que “às vésperas de mais uma eleição presidencial, estávamos todos com espírito combativo: aquela gente que não abre mão de defender ideias e o Estado democrático de direito”.

Para Roberto Guido, presidente interino da Apeoesp, “em tempos de Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro, de retrocessos e agressões à democracia e à soberania, este é um livro que se torna extremamente oportuno para não darmos um passo atrás”.

“São Paulo não aceita continuar marchando atrás e o Brasil precisa se manter avançando, por isso sabemos do significado de termos um governador como Haddad e um presidente como Lula. Valorizar nossa história, mantendo viva a história de quem não fugiu à luta, como faz Cyntia, é contribuir para que não se apague”, acrescentou Regina Sena, da coordenação da Subsede.

“Os relatos desta obra são um farol para o futuro da educação no país. Fica claro, com base em depoimentos de alunos e docentes, que, se quisermos construir algum futuro para o país, precisamos ‘ouvir’ o que este livro tem a dizer”, assinalou o professor e jornalista Marco Justo Losso no epílogo da obra.

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