Arvey Lozano e Alejandro Caicedo, amigos e lideranças do Sunet (ComunicaSul)

Para Arvey Lozano, vice-presidente do Sindicato Unitário Nacional de Trabalhadores do Estado (Sunet), subsede Palmira, o assassinato do secretário-geral da entidade, Alejandro Caicedo, “estampa o clima que os fascistas querem trazer de volta ao poder com a eleição de Abelardo de la Espriella”

LEONARDO WEXELL SEVERO, DE PALMIRA/COLÔMBIA

COLABORAÇÃO CAIO TEIXEIRA

“A recente execução do companheiro Alejandro Caicedo Gavilán, nosso irmão de tantas jornadas, com apenas 41 anos, foi um crime contra a Colômbia que tanto lutamos para construir. É uma prática que estampa o clima que os fascistas querem trazer de volta ao poder com a eleição de Abelardo de la Espriella: um país sem paz, sem salários e sem direitos”, afirmou Arvey Lozano, vice-presidente do Sindicato Unitário Nacional de Trabalhadores do Estado (Sunet), subsede Palmira – a cerca de 30 quilômetros de Cali -, no Vale do Cauca.

Seu corpo não resistiu aos graves ferimentos sofridos no ataque, especialmente uma lesão no pescoço que comprometeu a artéria carótida e causou considerável perda de sangue.

Conforme Arvey, após lutar incansavelmente durante mais de quatro meses pela vida em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), Alejandro faleceu, no dia 7 de maio, vítima de um atentado à bala praticado por assassinos de aluguel em uma motocicleta no dia 30 de dezembro passado.

Segundo o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), foram ao menos 187 assassinatos de dirigentes sociais e de defensoras de direitos humanos no país ao longo de 2025, ao que já se somaram outros 67 até o presente momento.

Próximo às eleições, o ambiente de ódio e insegurança é ainda mais impulsionado pela extrema-direita e seus meios de comunicação, visando atingir o governo de Gustavo Petro, o Pacto Histórico e seu candidato à presidência, Iván Cepeda, nas eleições do próximo dia 21.

Por precaução e orientação dos companheiros do Sunet, desembarquei do ônibus para a entrevista no Palmira Unicentro Shopping, com bastante gente, onde Arvey me aguardava na estrada. O ditado é semelhante ao nosso “não dar sorte para o azar”. Como o vice-presidente me relatou, ele próprio havia conseguido escapar de um atentado “só porque o gatilho travou e a arma não disparou”. Portanto, por recomendação do companheiro, dali já segui direto para o aeroporto. “Para minha segurança”, insistiu.

“ALEJANDRO SE DESTACAVA NA LUTA ANTIFASCISTA”

Infelizmente, Alejandro como secretário-geral do Sunet não teve a mesma felicidade, lamentou Arvey, “Ele era uma figura que se destacava por estar sempre à frente das lutas populares, nas leituras, comandando a luta antifascista contra Álvaro Uribe (2002-2010) e respaldando a política de desenvolvimento e de ampliação de direitos de Petro”, descreveu.

“Antes deste governo, tendo sido perseguido no meio de suas lutas juvenis, Alejandro foi ameaçado de morte e precisou suspender sua carreira na universidade e sair do país, tendo passado pela Argentina, Brasil, Espanha, Finlândia, Noruega e Suíça. Foi para Cuba e Venezuela, e depois retornou para a Colômbia, sendo reconhecido pelo seu carisma e honestidade. Isso fez com que tivesse uma ascendência muito grande sobre todos e se projetasse do ponto de vista sindical”, relatou.

“Recordo que sempre participava das marchas do Primeiro de Maio, bem como de todas as manifestações necessárias que os sindicalistas tivessem para ajudar. Sempre apoiava candidatos progressistas, de esquerda, que realmente servissem ao povo. Sempre se empenhou desse lado, nunca do outro. Era um jovem comunista”, disse.

“DE LA ESPRIELLA É FASCISMO PURO E DURO”

Diante da encruzilhada que a Colômbia se encontra, peço que trace um paralelo entre os dois caminhos opostos a seguir. “De la Espriella é fascismo puro e duro, é violência, significa eliminar, como ele próprio já falou, 40% do Estado, deixando as pessoas sem proteção social. Quando alguém afirma abertamente que vai eliminar a esquerda, falando em estripar, explicita textualmente que vai extrair os intestinos, as entranhas, o que está dizendo? Em outros países isso se chama terrorismo!”, protestou.

Cepeda representa a paz, o diálogo, a inteligência, o social e os seres humanos, um projeto nacional de desenvolvimento com soberania”

Ao contrário desse facínora, descreveu Arvey, “Iván Cepeda é um candidato que representa a paz, o diálogo, a inteligência, o social e os seres humanos, um projeto nacional de desenvolvimento com soberania”. “Precisamos, como Petro, de um presidente comprometido com reduzir a dependência das importações, sobretudo em alimentos, que invista em ciência e tecnologia, que se empenhe em recuperar a indústria que já tivemos”.

Para darmos esta virada, defendeu, “precisaremos enfrentar os grandes meios de comunicação, que são propriedade dos mesmos corruptos que governaram o país durante muitos anos e que levaram embora os nossos recursos”, “É preciso democratizar a mídia, da mesma forma que a redistribuição da renda, e fortalecer os meios alternativos. Porque hoje o que existe é uma indústria da desinformação que trabalha de forma política e ideológica para a manipulação, blindando Uribe, o fascismo e o neoliberalismo”, concluiu.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, da Internacional dos Serviços Públicos (ISP) e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos.

CONTRIBUA VOCÊ TAMBÉM!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *