“Honduras seria o epicentro de toda a estratégia de destruição dos projetos populares na América Latina”, alerta Ricardo Arturo
Ricardo Arturo Salgado Bonilla, ex-ministro de Planificação de Xiomara Castro (2022-2026) e dirigente do Partido Liberdade e Refundação, denuncia participação do ex-assessor de Milei no golpe de 2025 “Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino Fernando Cerimedo que em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda continental”, afirmou o ex-ministro de Planificação Estratégica de Honduras, Ricardo Arturo Salgado Bonilla. Segundo o dirigente do Partido Liberdade e Refundação (LIBRE), “o homem-chave da ‘onda’ fascista em todo o continente, o ex-assessor de Javier Milei, Cerimedo – que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira”, agora fornece os elementos para explicar como “abarrotaram de votos contrários as urnas ao partido” e dar a vitória a Nasry Asfura.

Os 19% de Cerimedo: Operação Golpe Eleitoral em Honduras

Ricardo Arturo Salgado Bonilla

Em 1º de dezembro de 2025, poucas horas após o fechamento das urnas, visitei um grupo de companheiros de coletivos que haviam atuado nas mesas eleitorais. O relato era estarrecedor, e os rostos estampavam raiva e frustração. Um deles me disse: “nunca tínhamos perdido sequer uma urna no meu local de votação, mas ontem perdemos todas”; outro afirmou: “não conseguimos explicar o que aconteceu”. Esse fenômeno se repetiu por todo o país.

O resultado parecia indicar uma enorme rejeição da população ao governo da presidente Xiomara Castro, que foi a administração com maior investimento social na história nacional. Obviamente, os resultados que os companheiros viam eram aqueles que chegavam em massa à central de apuração do Conselho Nacional Eleitoral. Assim começou a se criar o mito de que havíamos sido derrotados com apenas 19% de aprovação – um número ainda repetido por deputados governistas, jornalistas e especialistas a serviço do golpe fascista em Honduras. Os números não batiam, mas a velocidade de ação da ultradireita desmantelou a Procuradoria-Geral da República e, em menos de dois meses, já havia substituído a Suprema Corte de Justiça e aberto processos de impeachment contra o conselheiro Marlon Ochoa, o magistrado Mario Morazán (do Tribunal de Justiça Eleitoral) e o procurador-geral Johel Zelaya. Além disso, pressionou pela renúncia da presidente da Suprema Corte de Justiça. Foi uma celeridade que desestabilizou as instituições democráticas do país.

“Há um áudio do próprio Cerimedo conversando com hondurenhos, no qual pede calma e explica: “nós já tínhamos identificado as urnas onde eles obtêm mais votos, e foi lá que inserimos os votos [contra eles]”

Mas a explicação nos foi enviada pelo homem-chave da “onda” fascista em todo o continente, o ex-assessor de Javier Milei, Fernando Cerimedo – que acabou preso na Bolívia após ordenar o assassinato de sua companheira; ela não apenas sobreviveu, como parece guardar a chave para revelar as perversidades cometidas por Cerimedo e aquelas que ele estava prestes a cometer. Hoje, muitas verdades circulam nas redes sociais, entre elas um áudio do próprio Cerimedo conversando com hondurenhos, no qual pede calma e explica: “nós já tínhamos identificado as urnas onde eles obtêm mais votos, e foi lá que inserimos os votos [contra eles]”.

Nesse mesmo áudio, Cerimedo, em tom de comando, instrui que “não podem contar voto por voto”. Nessas poucas linhas descreve-se o que fizeram: abarrotaram de votos contrários as urnas do Partido Liberdade e Refundação (LIBRE), tirando-o assim da contagem; além disso, isso marcou o início da operação para destruir o LIBRE, baseada na premissa de que a grande maioria do povo nos odeia. Depreende-se, pelas palavras do tristemente célebre delinquente argentino, que em Honduras não houve eleições em 30 de novembro, mas sim um Golpe de Estado Eleitoral, que marcou o início da ofensiva de Marco Rubio contra a esquerda continental.

De fato, o golpe em Honduras é tão importante que Cerimedo teria viajado ao país com um funcionário público argentino próximo a Milei, portando uma grande quantia em dinheiro, para conversar com Nasry Asfura – já na condição de “presidente” – e combinar a ingerência no México, bem como a desestabilização da Colômbia e do governo da presidente Claudia Sheinbaum. Honduras seria o epicentro de toda a estratégia de destruição dos projetos populares na América Latina, incluindo a Venezuela e o atual sufocamento de Cuba. No entanto, parece que o grande prêmio é a pátria de Morelos, Zapata e Villa, no que é, a todas as luzes, uma nova forma de guerra do imperialismo na região – não apenas para reimpor a Doutrina Monroe, mas para desarticular a existência de vários países frágeis, como Honduras, onde as sociedades anônimas estão ganhando força em detrimento do Estado-nação. Para o LIBRE, é importante explicar a toda a sua militância a falácia dos 19% e reformular a estratégia de combate, a qual deve passar, necessariamente, pela eliminação de uma série de movimentos desideologizados que pretendem negociar com a direita, dando-lhe razão nesta grande infâmia perpetrada em 30 de novembro de 2025.

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