
“Nosso segundo governo progressista, como o fez o do presidente Petro, terá uma prioridade profundamente humana”, afirmou o candidato do Pacto Histórico, no encerramento da campanha em Barranquilla, tomado por oito quadras de manifestantes
“Diferente das décadas anteriores, marcadas, muitas vezes, por quem governou para enriquecer ainda mais os privilegiados, enquanto condenava milhões à pobreza e ao abandono, nosso segundo governo progressista, como fez o atual, terá uma prioridade profundamente humana: colocar o Estado a serviço de quem foi excluído, esquecido ou descartado”, declarou Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, reiterando que vencerá no próximo dia 31 de maio as candidaturas fascistas e neoliberais.
Agradecendo a cada um dos presentes pela “gigantesca e formidável mobilização que tomou oito quadras de pessoas” em Barranquilla, neste domingo (24), Cepeda comemorou sorrindo “a demonstração multitudinária de afeto, esperança e reconhecimento para encerrar a etapa de atos públicos de nossa campanha eleitoral”.
“E faço isso aqui, no coração do Caribe colombiano, nesta grande sociedade, como a chamou o cantor Joe Arroyo, que tanto gostamos. Fecho aqui minha campanha com alegria, pois sou filho do Caribe, por minhas raízes maternas e meus ancestrais libaneses. Eles foram, lutadores e perseguidos por serem consequentes com suas convicções políticas”, assinalou. Em função disso, acrescentou, “como defensor de direitos humanos, dirigente social e congressista, sempre busquei ser fiel a esse legado e durante décadas acompanhei e caminhei ao lado do povo caribenho em sua busca de justiça”.
Ao apresentar os “Oito Traços Distintos do Nosso Segundo Governo Progressista” – o senador sempre lê e documenta os seus discursos – recordou da luta dos povos originários, das comunidades afrodescendentes, dos trabalhadores rurais e, especialmente, das vítimas da violência na Colômbia. “Aqui também me enfrentei aos clãs mafiosos e às famílias poderosas desde a Fazenda El Ubérrimo – latifúndio de 1.500 hectares do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) – até os que governaram com métodos clientelistas este departamento (Estado)”, apontou.
A OPÇÃO FASCISTA DO PRINCIPAL JORNAL DE BARRANQUILLA
“Os mesmos que agora anunciam através do principal jornal da cidade, que teve tradição liberal, seu apoio à opção fascista na atual batalha eleitoral. Repito, opção fascista. Deplorável, muito deplorável, senhores do El Heraldo”, asseverou Cepeda, condenando o alinhamento à candidatura de Abelardo Gabriel de la Espriella.
Como se não bastasse o editorial “Abelardo de la Espriella, o candidato do Caribe, é a melhor opção à presidência da Colômbia”, e um texto tosco sobre as pretensas habilidades do “Tigre” – como trata de enaltecer seu candidato -, “advogado criminalista, empresário renomado e figura midiática com temperamento explosivo”, o El Heraldo se esforça em descaracterizar e deslegitimar o senador do Pacto Histórico. “A candidatura de Iván Cepeda, que aspira suceder Petro, representa essencialmente a continuação de uma experiência fracassada que atacou a democracia sob o pretexto de salvá-la”, alardeia o editorial, despejando uma série de falácias e mentiras contra o seu oponente.
“NÃO NOS HUMILHAMOS AOS PODERES ECONÔMICOS OU MIDIÁTICOS”
Ao contrário do arvorado pelo El Heraldo, Cepeda esclareceu que “nos interessa falar com as comunidades e ouvir o povo”, “tomar distância, de forma consciente, da política do espetáculo” e “não se prestar ao jogo da humilhação diante dos poderes econômicos ou midiáticos”.
“Não construímos esta campanha obcecados, como nossas competidoras e competidores, por ter mais microfones de rádio, mais câmeras de televisão ou mais capas de revista. Não competimos por ter a publicidade mais atraente nem nos disfarçar do que não somos para agradar ou nos camuflar. Nós somos do povo e não temos que nos vestir com falsas identidades ou maquiagens para enganar ninguém”, enfatizou.
Conforme Cepeda, a justiça social e a equidade econômica serão o primeiro ponto, pois “nosso principal compromisso será com os pobres, com as comunidades historicamente marginalizadas, com os que suportaram as piores injustiças sociais e econômicas”. “Para elas e eles”, lembrou, “serão dirigidos os maiores esforços do nosso governo”. “E quero dizer com total clareza: trabalhar primeiro por quem mais sofre não significa governar contra ninguém, mas também servir ao resto da sociedade, construir uma nação mais justa e mais estável para todas e todos, porque nenhuma sociedade pode prosperar verdadeiramente enquanto milhões de seres humanos vivem sem dignidade, sem oportunidades e sem esperança, enquanto uns poucos desfrutam da opulência”.
Veja vídeo do pronunciamento de Cepeda:
A segunda característica é que nosso governo construirá oportunidades e progresso para todas e todos, “pois quando se reduz a desigualdade, se repara a injustiça histórica e o Estado protege aqueles que nunca foram protegidos, toda a sociedade melhora e avança. Ganham os trabalhadores, ganham as regiões abandonadas, ganha a classe média, ganham os setores produtivos e empresariais, porque não existe prosperidade nem progresso no meio da exclusão e do abandono”. “Por isso, igualmente, nossa preocupação será estimular e patrocinar uma economia produtiva e diversa, em que tanto os grandes como os pequenos empresários sintam confiança para investir e produzir. Todos podemos ganhar, todos podemos crescer juntos. Não tem por que haver mais ricos, ricos, e pobres, pobres. Vamos pela equidade social”, sustentou.
“A CORRUPÇÃO NÃO É APENAS UM CRIME, É UMA TRAIÇÃO AO POVO”
“Terceiro: Nosso governo será um governo de mãos limpas. A luta contra a corrupção, ouçam, por favor, as famílias poderosas da costa do Caribe, será uma das tarefas fundamentais do meu mandato, porque a corrupção não é apenas um crime, é uma traição ao povo, é o saque dos recursos destinados à saúde, à educação, à moradia e ao bem-estar das pessoas. A luta contra a corrupção será, repito, implacável. Venha de onde vier, caia sobre quem caia”.
“Quarto: nosso governo será de austeridade republicana, por que quem deve apertar o cinto não são os trabalhadores, mas quem ocupe responsabilidades de poder atuando com modéstia, honestidade e absoluto respeito aos recursos públicos, sem salários exorbitantes nem luxos ofensivos”.
“Quinto: nosso governo, como o atual, será com o povo, pelo povo e para o povo. Manteremos diálogo permanente com a cidadania, com as organizações sociais, com os movimentos populares, com as comunidades e com as regiões”
“AS MULHERES E JOVENS TERÃO REPRESENTAÇÃO E PROTAGONISMO REAL”
“Fortaleceremos a participação de decisão das pessoas em todos os níveis da vida pública, defenderemos uma democracia viva, participativa e real, em que as mulheres e os jovens tenham a representação e o protagonismo que historicamente lhes foram negados. Governaremos sob o princípio fundamental de mandar obedecendo e dialogar escutando. Porque um governo democrático não pode se fechar entre muros burocráticos nem viver isolado da realidade do povo”.
“Sexto: nosso governo funcionará desde as comunidades. Com Aida Quilcué, estaremos no Palácio de Nariño somente o tempo necessário. A maior parte do nosso trabalho e ação de governo será nas regiões, nos municípios, nas comunidades e nos lugares onde ocorre a vida cotidiana da gente. Não será um governo distante nem encerrado na capital. Será um governo itinerante, presente e próximo. Um governo que irá buscar os problemas onde existem e trabalhará diretamente com as comunidades para resolvê-los. Porque a Colômbia não termina em Bogotá. A Colômbia vive em suas costas, em suas montanhas, em suas selvas, em seus campos e em seus bairros populares. Lá estaremos nós”.
“A sétima operação será simplificar e descomplicar o funcionamento do Estado. Não mais trâmites desnecessários, não mais filas eternas, não mais intermediários que atrasam as soluções ou abrem a porta à corrupção e à cobrança de favores por direitos que devem ser garantidos de forma direta, transparente e eficiente”.
“Oitavo: Nosso governo será também de diálogo permanente. Praticarei o diálogo reflexivo e argumentado sobre a realidade social. Dialogaremos com todos os setores da sociedade e, também, com a oposição política. Praticaremos um intercâmbio respeitoso de ideias, porque a democracia exige ouvir quem pensa diferente. Mas, do mesmo modo, exigiremos respeito. Respeito pelas instituições democráticas, pela vontade popular, pelo povo e pela legitimidade do mandato cidadão”.
“O CARIBE SABE RECONHECER AS MUDANÇAS QUE COMEÇOU A VIVER”
“Companheiras e companheiros, queremos terminar aqui esta etapa pública de nossa campanha, porque o Caribe sabe reconhecer as mudanças que a Colômbia começou a viver. Sabe que no Caribe nosso governo está entregando 128 mil hectares de terra para a população rural mais pobre. Sabe que 450 mil pessoas nos departamentos do Caribe saíram da pobreza. Sabe que 212 mil jovens de origem popular têm gratuidade hoje na educação pública superior. Sabe que 800 mil idosos se beneficiam hoje com o Programa Colômbia Maior. Apesar disso, não descansaremos enquanto há famílias que ainda estejam condenadas à pobreza e ao abandono”, salientou Cepeda.
O candidato reconheceu que é preciso aprofundar as mudanças e avançar: “Devemos garantir água potável para todas as comunidades. Devemos resolver de forma definitiva o drama da falta de energia e das tarifas elétricas exorbitantes. Devemos resolver de forma definitiva todos e cada um desses problemas, trabalhar pela reforma agrária, pela justiça social para os camponeses, levar oportunidades de bem-estar para aqueles que foram historicamente deixados para trás pelo Estado”.
“Vamos ganhar no primeiro turno, mesmo que queiram nos convencer do contrário. Quanto mais se empenham em convencê-los, é porque têm mais medo. Convido a todos para que nestes últimos dias não deixemos uma só parede sem nossos murais, um só caminho por percorrer, uma porta sem bater, uma só conversa sem sustentar. Que nossas redes, nossas ruas, nossos bairros e praças expressem a força serena mas imparável, a onda progressista do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida que recorre a Colômbia. Em Barranquilla termina a campanha, começa a vitória e inicia o segundo governo progressista. Me chamo Ivan Cepeda e vou ser seu presidente no primeiro turno. Obrigado”, concluiu o candidato.
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LEONARDO WEXELL SEVERO, da COLÔMBIA
