
Candidato do Pacto Histórico e da Aliança para a Vida reitera que este será o compromisso do “principal eixo do segundo governo progressista”. Há exatos dez dias do embate contra as forças do fascismo, Iván Cepeda reforça necessidade de “uma economia produtiva, diversificada e socialmente inclusiva”
“O principal eixo do segundo governo progressista será o avanço na eliminação da pobreza e da superação da desigualdade social. Acreditamos que se deve promover, como fez o nosso primeiro governo, uma economia produtiva, diversificada e socialmente inclusiva”, sintetizou o senador Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia nas eleições do próximo 31 de maio, durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (21), em Bogotá.
Há exatos dez dias do embate contra as forças do fascismo, da subserviência aos Estados Unidos e do narcotráfico – que buscam voltar ao poder através da uribista Paloma Valencia ou do bilionário Abelardo de la Espriella -, o candidato do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida construiu uma frente ampla para impulsionar o crescimento do mercado interno e progredir na política de valorização do salário mínimo, que este ano teve um aumento real de 18,5%.
Dando continuidade ao programa do presidente Gustavo Petro, Cepeda descarta a submissão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a entrega do patrimônio público nacional ao estrangeiro, e reforça a visão de que o país deve proteger e industrializar suas reservas de minerais críticos e terras raras para alcançar soberania tecnológica e autonomia.
“Nós consideramos que o desenvolvimento, o fortalecimento da nossa economia de forma sustentável, tem que ver com um avanço substancial em reduzir a pobreza e a desigualdade social. Estamos totalmente contra a ideia de que lutar contra a pobreza e buscar o bem-estar social seja contrário ao crescimento econômico”, assinalou Cepeda. Nossa ideia, frisou, “é que quando há maior bem-estar, maior eliminação da pobreza, maior salário real e melhores possibilidades de política social, mais cresce a economia e mais se fortalecem as possibilidades de ascensão, mais ganham as grandes empresas”.
Em função disso, o candidato do governo Gustavo Petro defendeu a relevância de que “o Estado seja um empreendedor, um inovador e que tenha um papel estratégico na economia”. Diferente dos neoliberais que colocam o Estado como um “mero observador passivo” do que ocorre – em benefício dos cartéis e monopólios privados -, o candidato acredita que ele necessita ter uma ação inovadora, agindo “com uma política social, que é uma base importante deste papel”.
Cepeda reiterou que as iniciativas do governo colombiano não estarão baseadas em subsídios assistencialistas, com que os neoliberais costumam se enriquecer ilegalmente às custas do Estado, mas “em programas orientados a fortalecer o tecido social, a produtividade e as microempresas familiares”. Tais propostas, sublinhou, teriam um custo financiado pelo aumento das receitas da Ecopetrol – maior empresa da Colômbia e uma das quatro principais companhias petrolíferas integradas da América Latina -, pela eliminação de intermediários e pelo redirecionamento de gastos públicos.
A fim de acelerar a tramitação e a viabilidade destas importantes iniciativas, Cepeda comunicou que buscará acordos com o setor privado por meio de “programas sociais em troca de impostos”. A proposta possibilitaria que empresas que contribuam financeiramente com os programas sociais recebam benefícios fiscais.
Os sete programas sociais de Iván Cepeda são os seguintes:
- Ampliação do Colômbia Maior
O programa atualmente beneficia 3,2 milhões de idosos com um bônus mensal de aposentadoria de 230.000 pesos (US$ 62). Sua proposta é incorporar mais um milhão de beneficiários que vivem em situação de pobreza e extrema pobreza. O custo seria financiado, entre outras fontes, por mais ingressos da Ecopetrol
- Renda Jovem e Serviço Social para a Paz
Destinado a estudantes de universidades públicas e jovens de áreas rurais ou periferias urbanas. Cepeda explicou que a iniciativa inclui transferências mensais entre 800 mil e um milhão de pesos (US$ 215 e US$ 269). A proposta seria financiada pelo fortalecimento dos programas de assistência social universitária e pela expansão do Serviço Social para a Paz, mecanismo criado por lei e promovido pelo próprio senador.
Ele esclareceu que os jovens poderiam optar entre o serviço militar ou participar de atividades relacionadas à proteção ambiental, alfabetização digital e apoio a idosos em regiões remotas do país.
- Renda Básica Universal com Foco na Produtividade
O candidato propôs dobrar a abrangência do programa de renda básica universal, ampliando de 800 mil para 1,6 milhão o número de famílias beneficiadas. O programa inclui transferências bimestrais de 500 mil pesos (US$ 134,7) tendo como objetivo que os beneficiários façam gradualmente a transição para programas produtivos, por meio de empréstimos flexíveis para microempresas familiares.
Ao longo dos quatro anos, o objetivo é financiar 200 mil microempresas familiares, com empréstimos facilitados dirigidos a quem hoje é rejeitado pelo sistema financeiro.
- Renda Básica para Pessoas com Deficiência
O programa envolve a implementação de uma renda básica para pessoas com deficiência, criada pela Lei 2426 de 2025. A iniciativa, assinalou, beneficiaria aproximadamente 400.000 pessoas, especialmente crianças e jovens adultos de até 29 anos com deficiência.
- Proteção Econômica para Líderes Sociais
A criação de um programa especial para proteger líderes sociais em áreas de alto risco proporcionaria um “salário digno” para aproximadamente 5.000 pessoas que demonstram “comprovada liderança” em suas comunidades e enfrentam ameaças ou riscos devido ao seu ativismo. Cepeda ressaltou que muitas destas vítimas não possuem sequer recursos para se deslocar e proteger suas vidas. Desta forma, o auxílio também serviria como “mecanismo de proteção”.
- Compra direta de alimentos dos camponeses
Haverá um redirecionamento das compras públicas de alimentos para as associações de agricultores e produtores rurais. Desta forma, asseverou, programas como o Programa de Alimentação Escolar (PAE), o Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar e as Forças Armadas deixariam de comercializar com grandes intermediários e passariam a adquirir alimentos diretamente dos agricultores. A medida fortaleceria a economia rural, garantiria mercados para os produtores e reduziria a corrupção associada aos intermediários nos contratos de alimentação escolar e governamental.
- Kits escolares para alunos vulneráveis
O programa mais recente envolve a distribuição de kits escolares para dois milhões de estudantes em áreas rurais e periferias urbanas. A iniciativa tem como público-alvo alunos do ensino fundamental e incluiria uma mochila com um jogo de xadrez, uma bola, lápis de cor, material básico e folhetos da Comissão da Verdade.
LEONARDO WEXELL SEVERO de BOGOTÁ-COLÔMBIA
Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Rempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, além de vários colaboradores anônimos.

