Não foi apenas uma vitória eleitoral. Foi uma demonstração da força da mobilização popular. Nos últimos dias da campanha, vimos o povo nas ruas, com alegria, disposição e coragem, defendendo a democracia. A Avenida Paulista permaneceu tomada por manifestações. Em Copacabana e em cidades de todo o país, multidões foram às ruas. E essa mobilização chegou às urnas. No primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram. No segundo, a abstenção caiu significativamente.
A participação popular foi decisiva para a virada. Lula passou de 53.879.538 votos no primeiro turno para 64.256.232 no segundo. Foram mais de 10 milhões de votos conquistados entre uma votação e outra. A democracia mostrou, mais uma vez, que não se resume ao ato de depositar o voto na urna. Ela se fortalece quando o povo participa, ocupa as ruas e assume a defesa de sua própria soberania.

Mas o derrotado não resiste ao seu DNA golpista. Flávio Bolsonaro recusou-se a reconhecer o resultado e anunciou que pretende pedir a anulação da eleição, alegando que o processo teria sido conturbado. Houve problemas com o transporte público em algumas cidades e, diante das dificuldades para que todos conseguissem chegar às urnas, foi autorizada a prorrogação da votação até as 19 horas.
É justamente diante dessa tentativa de colocar sob suspeita a vontade manifestada nas urnas que ganha força a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin: “É preciso lembrar que toda autoridade, todo poder emana do povo. É fundamental que sejam respeitadas as escolhas da manifestação da soberania popular.”
Não há margem para ambiguidades. O resultado das urnas precisa ser respeitado. A soberania pertence ao povo, e democracia não é um regime em que se aceitam as regras somente quando se vence. Questionar a vontade manifestada por milhões de brasileiros sem apresentar provas é tentar lançar suspeita sobre a própria democracia.
A eleição terminou, mas a luta política está apenas começando. Lula terá diante de si um Congresso majoritariamente conservador e de direita. Ele próprio afirmou que pretende mudar sua maneira de governar. E terá mesmo de mudar. A grande lição deste segundo turno é que a virada não aconteceu apenas nos gabinetes, nos programas de televisão ou nas redes sociais. Ela aconteceu, sobretudo, quando o povo se mobilizou.
Essa mobilização não pode terminar com a apuração das urnas. O povo que saiu às ruas para defender a democracia não pode simplesmente voltar para casa e entregar toda a política ao Congresso. Precisa permanecer organizado, participando das grandes decisões nacionais e pressionando seus representantes. Sem mobilização popular será muito difícil alterar a correlação de forças de um Parlamento dominado pela direita.
A vitória de Lula, portanto, não é um ponto de chegada. É o começo de uma nova batalha. Uma batalha pela democracia, pela soberania nacional, pelo desenvolvimento, pela justiça social e pela construção de um projeto nacional capaz de devolver ao povo brasileiro o direito de decidir seu próprio destino.
A eleição mostrou onde está a força capaz de sustentar esse projeto: no povo. Nas urnas e nas ruas.

