Lula e a multidão tomando conta da Paulista (Reprodução: Flickr – Foto: Ricardo Stuckert)

A espetacular virada de Lula mostra a força da mobilização popular. Agora, o desafio é governar com o povo mobilizado e enfrentar um Congresso majoritariamente conservador

PAULO CANNABRAVA FILHO/DIÁLOGOS DO SUL
Vamos celebrar com alegria a vitória do povo brasileiro. A virada de Lula no segundo turno foi espetacular. Ele saiu de uma derrota por mais de 2,2 milhões de votos no primeiro turno para uma vitória por 4.430.191 votos no segundo. Lula conquistou 10.376.694 votos a mais entre os dois turnos e foi reeleito com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041, 48,21%, de Flávio Bolsonaro.

Não foi apenas uma vitória eleitoral. Foi uma demonstração da força da mobilização popular. Nos últimos dias da campanha, vimos o povo nas ruas, com alegria, disposição e coragem, defendendo a democracia. A Avenida Paulista permaneceu tomada por manifestações. Em Copacabana e em cidades de todo o país, multidões foram às ruas. E essa mobilização chegou às urnas. No primeiro turno, mais de 33 milhões de eleitores não compareceram. No segundo, a abstenção caiu significativamente.

A participação popular foi decisiva para a virada. Lula passou de 53.879.538 votos no primeiro turno para 64.256.232 no segundo. Foram mais de 10 milhões de votos conquistados entre uma votação e outra. A democracia mostrou, mais uma vez, que não se resume ao ato de depositar o voto na urna. Ela se fortalece quando o povo participa, ocupa as ruas e assume a defesa de sua própria soberania.

Infografico A Vitoria da Democracia
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Mas o derrotado não resiste ao seu DNA golpista. Flávio Bolsonaro recusou-se a reconhecer o resultado e anunciou que pretende pedir a anulação da eleição, alegando que o processo teria sido conturbado. Houve problemas com o transporte público em algumas cidades e, diante das dificuldades para que todos conseguissem chegar às urnas, foi autorizada a prorrogação da votação até as 19 horas.

É justamente diante dessa tentativa de colocar sob suspeita a vontade manifestada nas urnas que ganha força a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin: “É preciso lembrar que toda autoridade, todo poder emana do povo. É fundamental que sejam respeitadas as escolhas da manifestação da soberania popular.”

Não há margem para ambiguidades. O resultado das urnas precisa ser respeitado. A soberania pertence ao povo, e democracia não é um regime em que se aceitam as regras somente quando se vence. Questionar a vontade manifestada por milhões de brasileiros sem apresentar provas é tentar lançar suspeita sobre a própria democracia.

A eleição terminou, mas a luta política está apenas começando. Lula terá diante de si um Congresso majoritariamente conservador e de direita. Ele próprio afirmou que pretende mudar sua maneira de governar. E terá mesmo de mudar. A grande lição deste segundo turno é que a virada não aconteceu apenas nos gabinetes, nos programas de televisão ou nas redes sociais. Ela aconteceu, sobretudo, quando o povo se mobilizou.

Essa mobilização não pode terminar com a apuração das urnas. O povo que saiu às ruas para defender a democracia não pode simplesmente voltar para casa e entregar toda a política ao Congresso. Precisa permanecer organizado, participando das grandes decisões nacionais e pressionando seus representantes. Sem mobilização popular será muito difícil alterar a correlação de forças de um Parlamento dominado pela direita.

A vitória de Lula, portanto, não é um ponto de chegada. É o começo de uma nova batalha. Uma batalha pela democracia, pela soberania nacional, pelo desenvolvimento, pela justiça social e pela construção de um projeto nacional capaz de devolver ao povo brasileiro o direito de decidir seu próprio destino.

A eleição mostrou onde está a força capaz de sustentar esse projeto: no povo. Nas urnas e nas ruas.

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