“Temos um presidente ao lado dos ricos”, declarou Sérgio Manuel, na Praça de Maio

Em entrevista nas ruas de Buenos Aires, pessoas manifestaram  sua indignação com as ofensas proferidas contra o líder brasileiro e o ministro do STF, Alexandre de Moraes

LEONARDO WEXELL SEVERO E CAIO TEIXEIRA, DE BUENOS AIRES

“Vergonha alheia” e “falta de respeito” com “nosso país irmão” foram algumas das palavras que ouvimos nas ruas de Buenos Aires, nesta quarta-feira (29), condenando as agressões proferidas por Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem vice e sem alianças, com uma grande tesoura nas mãos – numa versão da motosserra ultraneoliberal-, Flavio recorreu ao apoio de Milei na convenção que homologou sua candidatura à presidência para esbravejar contra o líder brasileiro. Revoltado pela Justiça ter lhe negado o acesso à visita a Jair Bolsonaro, foi filmado saltitando e esbravejando contra o “socialismo”, chamando Lula de “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, “de lixo careca”. Tudo numa lambança com dinheiro público do país vizinho.

O ultradireitista, responsável pelo agravamento brutal nos cortes públicos, pelo aumento da informalidade, do emprego sem registro e da inadimplência na Argentina, fez um apelo para que o Brasil renegue qualquer projeto de construção de um país desenvolvido e soberano.

Mesmo eleitores do próprio Milei condenaram na reportagem a irresponsabilidade da intervenção em favor de Trump, advertindo pelo prejuízo nas relações econômicas bilaterais entre os dois países, em que o país menor tem sempre mais a perder.

Para completar, Milei está sendo denunciado em seu país por utilizar o avião oficial e recursos do Estado para participar da convenção em apoio a Flávio Bolsonaro. Conforme a ação, apresentada pelos advogados José Magioncalda e Juan Martín Fazio, o deslocamento do presidente argentino para um ato político da oposição brasileira representa um desvio de dinheiro público de sua finalidade específica, configurando crime de malversação de fundos e descumprimento dos deveres de funcionário público. “Os recursos estatais foram desviados para satisfazer os interesses de uma facção política, causando graves danos às relações diplomáticas bilaterais”, sustentam.

Diante das agressões de Milei, o Brasil convocou seu representante diplomático na Argentina e analisa quais as medidas que serão adotadas.

“Seria muito lógico que o Brasil tomasse represálias com relação a isso. E eu, como argentino, tenho que reconhecer que não temos um presidente muito agradável e que esteja do lado do povo; ele está do lado dos ricos. Infelizmente, é o que nos calhou”, afirmou Sérgio Manuel.

Tomando mate na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do poder político e administrativo do país, a jovem Romina sintetizou o que a população está sentindo: “a verdade é que pra mim deu muita vergonha como argentina. Realmente não representa o que a maioria do nosso povo sente, então me pareceu totalmente infeliz, me pareceu vergonhoso”.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Professores de São Paulo(Sinpro-SP), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – São Paulo (CTB-SP); Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé e Instituto Angelim

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