
Evento se realiza nesta quinta-feira, 12, no SJSP, auditório Vladimir Herzog, a partir das 15:00. Falarão ao Brasil direto de Israel, online, jovens que se negam a prestar serviço militar voltado a agredir os palestinos e demais povos da região do Oriente Médio
“Jovens israelenses recusam servir ao Exército e explicam por quê”, é o título do evento que será realizado no Auditório Vladimir Herzog do SJSP com a participação online de Yuval Peleg, 18 anos, e Yona Roseman, 19 anos, que preferiram ir à prisão do que prestar o serviço militar em Israel.
Ambos se tornaram ativistas do coletivo Messarvot (As que se recusam) que se opõe ao genocídio em Gaza, aos crimes de guerra praticados pelo Exército de Israel e à ocupação ilegal dos Territórios Palestinos (Cisjordânia e Gaza). Ao todo, 17 jovens israelenses foram presos desde o início da agressão à Faixa de Gaza (após 7 de outubro de 2023) por se recusarem publicamente a prestar o serviço militar obrigatório.
Os jovens, denominados de refuseniks, seguem ainda mais determinados em meio à agressão perpetrada pelo eixo EUA-Israel ao povo iraniano.
Também participará da atividade desta quinta-feira no SJSP, de forma presencial, Nathaniel Braia, jornalista e vice-presidente do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo (Sindeesp), que viveu em Israel nos anos 1970 e foi dos primeiros israelenses a rejeitar alistamento por questões de consciência.
Participam da organização do evento – além de Messarvot e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo -, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo, CUT, grupo Vozes Judaicas por Libertação, Museu da Igualdade (Paraná), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Confederação Palestina Latino-Americana e do Caribe (Coplac) e Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) e ainda a Agência de Notícias Aressala.

Em declaração conjunta, a Coplac, Fepal e Aressla, destacam que “quando jovens israelenses se recusam a servir ao exército, expõem por dentro a máquina de ocupação, terror e extermínio que sustenta o regime sionista”.
Para estas entidades, “não se trata de um ‘serviço militar’ qualquer. Trata-se de participar da repressão brutal contra o povo palestino, da manutenção do apartheid, da invasão de terras, das prisões, dos bombardeios e do genocídio continuado”, que agora se estende ao Irã e, mais uma vez, ao Líbano.
“Recusar-se a vestir essa farda é um ato de ruptura política e moral. É dizer não à colonização, não à guerra contra um povo que resiste há décadas à violência, ao roubo de sua terra e à negação de seus direitos nacionais. Ouvir essas vozes é, mais do que nunca, necessário, porque denunciar Israel como potência ocupante, colonial e criminosa é dever de todos os que não se curvam à propaganda de guerra.
A organização Vozes Judaicas pela Libertação declarou em apoio ao evento:
“Nós acreditamos que este evento é de grande importância para a comunidade judaica e para a sociedade como um todo.
É uma oportunidade de escutar e colocar em diálogo as experiências de dois jovens que, desde dentro do regime sionista, recusam servir o Exército de Israel e pagam um preço alto por denunciar seu caráter genocida, colonial e de apartheid. O movimento de recusa emerge de dentro, e é fundamental para desestabilizar a engrenagem sionista que perpetra a limpeza étnica do povo palestino.
Ao lado deles estará também um dos precursores dessa luta, Nathaniel Braia, que construiu sua trajetória no Brasil, contribuindo para fortalecer redes de solidariedade e denúncia.
Em um momento em que, mais uma vez, Israel se coloca na ponta da barbárie imperialista, o VJL tem orgulho de colaborar com esse encontro, apoiar a difusão de mais vozes judaicas dissidentes e participar da organização deste encontro ao lado de outras entidades, ativistas e lutadores e lutadoras por direitos humanos, reafirmando a importância de ampliar o espaço de enfrentamento ao militarismo, o colonialismo e o apartheid.”
Seguem declarações de Yona Roseman e Yuval Peleg.
Yona: “O reconhecimento real da dimensão de destruição que nosso Estado semeia, provocando total sofrimento contra os por ele atingidos, os palestinos, demanda ação.
Quando se vê a escala das atrocidades, quando nos colocamos como pessoas com consciência e moralidade, fica claro que não podemos continuar de forma rotineira, seja qual for o custo social ou legal de nossa recusa.
O Estado de Israel está cometendo genocídio. Sua autoridade moral se anula com cada criança que enterra, depois de outras dezenas de milhares que fizeram desaparecer como se nunca tivessem existido. Suas instituições estão manchadas pelos rios de sangue que fazem espirrar. Não há um ato que cometem que não exija condenação, não há um elemento que empregam que mereça respeito, obediência e não há uma lei que não mereça ser violada.
O Estado de Israel está cometendo genocídio e nós devemos resistir”.
Yuval acrescentou não haver se arrependido de ter recusado o alistamento.
“As chamadas Forças de Defesa de Israel provaram ser uma organização desprezível e criminosa, e não há desculpa para se juntar a elas. Eu, e muitos outros, continuaremos a lutar e a nos opor a elas enquanto for necessário”, assinalou o jovem.
“Após ser preso 5 vezes e passar um total de 130 dias em uma prisão militar por me recusar a me alistar, finalmente fui libertado e dispensado do serviço militar. Estou incrivelmente feliz por estar fora da prisão. Foi uma experiência difícil e durou mais do que eu esperava, mas quero agradecer a todos pelo apoio – foi incrivelmente fortalecedor saber que, mesmo estando preso, existem pessoas em todo o mundo que apoiam minhas ações lutando pela minha libertação, e sem elas não sei como teria conseguido superar isso.”
No dia 12 de março, às 15h, em São Paulo – Sindicato dos Jornalistas – R. Rego Freitas, 570- Centro – São Paulo, todos estão convidados para o encontro de denúncia, consciência e solidariedade à Palestina.
Matéria escrita com a colaboração de Pedro Pomar, diretor do SJSP e Emir Murad, secretário-geral da Coplac
