
Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde alerta que sucessão de ataques às instituições comprometem o atendimento à população e multiplicam o número de mortes e feridos
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, denunciou nesta quinta-feira (5) que a entidade comprovou ao menos 13 bombardeios dos Estados Unidos e Israel contra hospitais no Irã e um no Líbano, em ataques que ceifaram a vida de quatro médicos e deixaram 25 feridos.
Na mesma coletiva de imprensa, a diretora regional da OMS, Hanan Balkhy, apontou que quatro ambulâncias foram alvejadas no Irã - com o assassinato de motoristas – e que outros locais de saúde sofreram danos devido a arremetidas contra as suas proximidades. Na capital Teerã, o hospital Mártir Motahhari precisou ser evacuado pelo grave comprometimento da sua estrutura, informou a agência de saúde da ONU.
Dois centros médicos de emergência em Sarab, no centro do Irã, e Hamedan, no oeste, foram danificados e pelo menos dois profissionais de saúde ficaram feridos. “Neste momento, os hospitais e as clínicas são mais necessários do que nunca. É por isso que é imperativo garantir a sua proteção”, reiterou Ghebreyesus.
“QUE AS VOZES DA SABEDORIA E DA PAZ PREVALEÇAM SOBRE O BARULHO DOS BOMBARDEIOS”
O chefe da OMS apelou para que se respeite o direito humanitário internacional e sejam protegidos “os profissionais de saúde, as instalações e os pacientes”, defendendo que “as vozes da sabedoria e da paz prevalecem sobre o barulho dos bombardeios”.
Devido às restrições de transporte na região, o centro logístico da OMS em Dubai, nos Emirados Árabes, que proporciona medicamentos e equipamentos sanitários a dezenas de países, também precisou ser temporariamente fechado, esclareceu Hanan Balkhy.
No Líbano, três motoristas de ambulâncias foram mortos e outros seis ficaram feridos na terça-feira (3) enquanto prestavam assistência às vítimas de explosões no distrito de Tiro, no sul. “O risco de que outros profissionais de saúde estejam entre as vítimas é elevado”, condenou Tedros Ghebreyesus. “É fundamental evitar isto para que os trabalhadores das ambulâncias, médicos e enfermeiros possam realizar o seu trabalho vital, especialmente necessário em tempos de crise”, acrescentou.
“PREOCUPAÇÃO COM A MORTE E MUTILAÇÃO DE CRIANÇAS”
O Comité das Nações Unidas para os Direitos da Criança manifestou a sua “profunda preocupação” com a morte de “crianças inocentes” e as “graves repercussões” do conflito sobre os mais jovens.
Os peritos deste órgão, encarregado de monitorizar a implementação da Convenção sobre os Direitos da Criança, assinalaram que os relatórios indicam ataques contra infra-estruturas civis, assinalando em particular o covarde bombardeio pelos EUA e Israel da escola Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã, que já causou a morte de mais de 170 meninas entre sete e doze anos.
Os especialistas apelaram aos agressores que adotem um “cessar-fogo imediato e duradouro” para evitar que as crianças sejam expostas a “assassinatos, mutilações, deslocamentos, danos psicológicos ou outras violações dos seus direitos”.
HORA DO POVO
