Hitler e Trump. (Fotomontagem HP)

Ameaças vieram após perdas militares significativas no terreno da luta e geram apreensão e reprovação em todo o mundo. Professor da ESG destaca que Trump tem objetivos econômicos mesquinhos e está sem controle por parte da sociedade americana

O mundo amanheceu nesta terça-feira (7) sob a ameaça do ditador norte-americano Donald Trump de “destruir uma civilização inteira para nunca mais ser ressuscitada”. A ameaça, que lembra os arroubos de Hitler, vem após uma sequência de derrotas militares dos EUA no campo de batalha em sua agressão ao Irã.

A indignação interna com as falas de Trump já haviam crescido muito, principalmente com o seu destempero após perder quase uma dezena de aeronaves durante o plano de resgate de um piloto de um F-15 americano atingido por mísseis iranianos. Vários parlamentares dos EUA já começaram a acenar com a 25 ª Emenda da Constituição norte-americana, que prevê o impeachment do presidente em casos como o de Trump. Eles apontam que Trump está com problemas mentais e não está em condições de seguir à frente da Casa Branca.

A mensagem de Trump com as ameaças foi postada na manhã desta terça-feira em suas redes sociais. Veja a íntegra do post do ditador.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, afirmou.

Para o analista e professor da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona, a intenção de Trump é gravíssima e pode estar associada a planos de mais longo prazo de domínio do mercado mundial de energia. Segundo ele, os EUA estariam apostando na destruição da produção de petróleo do Oriente Médio para beneficiar a sua própria indústria de petróleo. Os EUA são exportadores de gás para a Europa e se beneficiariam da destruição de seus concorrentes do Oriente Médio.

Na opinião de Carmona, com os armamentos convencionais, os Estados Unidos não estão obtendo os resultados esperados em sua agressão ao Irã. Os iranianos estão retaliando fortemente e neutralizado a propalada superioridade de armamentos da Casa Branca e TelAvic. O objetivo de obter uma rápida mudança de regime no Irã, pretendida por Washington e TelAviv, fracassou rotundamente.

O analista da ESG aponta também que este fato, da impossibilidade de avanço no terreno com armamentos convencionais, revela a possibilidade de que Donald Trump possa estar fazendo ameaças com características de blefe para tentar dobrar a resistência iraniana. Ele não descarta, porém, a possibilidade de que Trump esteja também pretendendo lançar mão de armamentos não convencionais.

O professor da ESG destacou que a proposta de 15 pontos apresentada pelo chefe da Casa Branca aos iranianos não tem a menor possibilidade de ser aceita porque ela significaria a rendição completa do Irã. Na opinião de Carmona, não é este o quadro que se desenha nos campos de batalha. O Irã tem conseguido impor perdas significativas aos agressores, através de seus mísseis de alta precisão, e também estão conseguindo pressionar economicamente os EUA pelo fechamento do Estreito de Ormuz, um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo.

Perguntado, na entrevista à Globonews desta manhã, se haveria alguma forma de a sociedade americana, e suas instituições, de impedir a concretização dessas ameaças de Trump, Carmona respondeu negativamente e lembrou que todas as ações recentes, levadas a cabo pelo atual ocupante da Casa Branca, como a invasão da Venezuela, o próprio início da agressão ao Irã, além de outras medidas, foram tomadas sem nenhuma interferência do Congresso americano ou qualquer outro órgão do poder estadunidense.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, respondeu às ameaças e disse que o Irã não se intimida e que o país vencerá seus inimigos. Ele afirmou que milhões de iranianos estão “prontos para defender o país”. “Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã”, afirmou Pezeshkian em publicação no X.

Segundo o presidente dos iranianos, esse número representa a quantidade de iranianos que responderam às campanhas da mídia estatal e de mensagens de texto que incentivavam as pessoas a se voluntariarem para lutar. No entanto, a população total do país é de mais de 90 milhões de habitantes. A avaliação, portanto, é que muito mais gente se somará à defesa da pátria contra os agressores.

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