
Estava em jogo uma proposta que autorizava “por ao menos seis meses” a adoção de “todos os meios defensivos necessários” – o que inclui o uso da força – para retomar a navegação comercial em Ormuz
Os aliados de Estados Unidos e Israel tentaram coagir o ONU (Organização das Nações Unidas) a liberar ações contra o Irã no Estreito de Ormuz. Mas, graças ao poder de veto da China e da Rússia no Conselho de Segurança, a manobra foi rejeitada nesta terça-feira (7).
Estava em jogo uma proposta apresentada pelo Bahrein, que pedia autorização, “por ao menos seis meses”, para os países recorrerem a “todos os meios defensivos necessários” – o que inclui o uso da força – a fim de retomarem a navegação comercial em Ormuz.
O trânsito no estreito foi bloqueado pelo Irã após o início da guerra, que foi deflagrada em 28 de fevereiro pelos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Apenas navios de nações amigas do regime iraniano têm com seguido transportar petróleo na região.
Na ONU, a expressão “usar todos os meios defensivos necessários” é um eufemismo para garantir aval a ofensivas militares. Mas ações do tipo precisam do apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ciente de que China e Rússia se opunham à medida, o Bahrein ainda tentou suavizar o texto e substituiu a polêmica expressão por “encoraja fortemente” os países a “coordenar esforços defensivos” no Estreito de Ormuz.
De nada adiantou. Um único voto contrário de qualquer um dos membros permanentes do colegiado – Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, França e China – é suficiente para vetar uma resolução. Mesmo desidratada, a proposta do Bahrein, claramente subalterna à Casa Branca, não sensibilizou chineses e russos, que buscam saídas diplomáticas para a crise no Oriente Médio.
Do total de 15 membros do Conselho de Segurança, 11 votaram a favor da saída militar e dois se abstiveram. Coube à China e à Rússia darem um basta à escalada na região e prometerem uma resolução mais consensual. Ainda nesta terça, enquanto a proposta era debatida, os Estados Unidos falavam em “extinguir toda uma civilização inteira nesta noite” no Irã, o que prejudicou ainda mais as negociações.
Nos bastidores da ONU, a manobra do Bahrein foi vendida como uma alternativa à ameaça de Trump de atacar usinas de energia e pontes iranianas caso o país persa não reabra Ormuz até as 20 horas (no horário oficial dos EUA). O anúncio da derrota foi feito por Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ministro das Relações Exteriores do Bahrein: “O projeto de resolução não foi adotado devido ao voto contrário de um membro permanente do Conselho”.
O Estreito de Ormuz é rota marítima de cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. Com seu fechamento, todo o mercado global de combustíveis foi afetado. No início da tarde de hoje, o barril do petróleo estava cotado a US$ 109,51.
