Por erguerem faixas e cartazes contra os crimes de guerra de Herzog, dezenas de australianos foram presos e espancados

Grupos de direitos humanos de Sydney denunciaram a  “brutalidade policial” usada pelo governo para conter os 50 mil manifestantes que marcharam contra a presença do genocida Isaac Herzog ao país

Reconhecida por sua forma pacata, a Austrália se converteu numa zona de guerra nesta segunda-feira (9), com a polícia usando e abusando de bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, cavalos e cacetetes na tentativa de conter os protestos em Sydney contra a indesejada presença do presidente Israel, Isaac Herzog, ao país.

Os grupos de direitos humanos da cidade “protestaram contra a brutalidade policial” e defenderam a renúncia das autoridades governamentais devido à “repressão violenta” desencadeada contra a marcha de 50 mil manifestantes. Além de ativistas da sociedade civil foram agredidos parlamentares e repórteres, na tentativa de silenciar a denúncia da política de terrorismo de Estado implementada pelo governo sionista na Palestina, seja na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia.

Abigail Boyd, parlamentar do Partido Verde, na oposição, afirmou ter sido agredida por policiais durante o protesto e ter presenciado a violência policial ser utilizada de forma descarada. “A polícia simplesmente corria em direção a grupos de pessoas e as encurralava em uma área”, descreveu Boyd aos jornalistas. Para conter a marcha, explicou, o governo australiano estabeleceu uma área da cidade como “zona proibida”.

Considerado responsável por uma comissão de inquérito das Nações Unidas por incitar o genocídio contra palestinos em Gaza pelas forças israelenses, Herzog jamais deveria ter sido convidado pelo primeiro-ministro Anthony Albanese. “Ele não poderia estar imune aos protestos que se espraiam pelo mundo todo”, destacam os manifestantes, “muito menos ser recebido pelo governo”.

RECEBER HERZOG MINA COMPROMISSO COM A RESPONSABILIZAÇÃO E A JUSTIÇA

“Receber o presidente Herzog como convidado oficial mina o compromisso da Austrália com a responsabilização e a justiça. Não podemos permanecer em silêncio”, aponta a seção australiana da Anistia Internacional, recordando que “ele desencadeou imenso sofrimento aos palestinos em Gaza por mais de dois anos – descaradamente e com total impunidade”.

Tendo por base as definições apresentadas na Convenção de Genocídio de 1948, Israel cometeu o assassinato de palestinos; causou sérios danos físicos ou mentais ao povo palestino; impôs deliberadamente a esse grupo “condições de vida calculadas para provocar sua destruição física total ou parcial”; e impôs medidas destinadas a impedir nascimentos de crianças palestinas.

APÓS DERRUBADA, PARLAMENTAR RECEBEU SOCOS NA CABEÇA E NO OMBRO

“Havia um grupo de pessoas que estavam orando, pois era o horário da oração da noite. Eram talvez umas doze. Estavam orando pacificamente e ficou claro que a polícia queria dispersá-las no meio da oração”, informou a parlamentar, relatando como passou a ser agredida logo em seguida. “Fui erguida do chão e, como vocês podem ver no vídeo, enquanto eu tentava recuperar o equilíbrio, outro policial me deu um soco na cabeça e, em seguida, outro me deu um soco no ombro”, descreveu.

“Não entendo como isso pode ser considerado uma resposta proporcional. Eu não estava fazendo nada de errado. Nem ninguém ao meu redor. Eles simplesmente entraram e agarraram essas pessoas que estavam orando. Não há nada mais pacífico do que a oração. Pegá-las e jogá-las no chão novamente foi um absurdo”, acrescentou Boyd.

“HORRORIZADOS COM O USO EXCESSIVO DA FORÇA POLICIAL”

O grupo australiano de justiça racial Democracy in Colour declarou estar “horrorizado” com o “uso excessivo da força policial” contra quem protestava contra a visita de Herzog. “O que vimos ontem à noite foi uma demonstração violenta do poder estatal, concebida para silenciar pessoas que protestavam pelos direitos humanos”, disse Noura Mansour, diretora da entidade. “Ver a polícia usar spray de pimenta contra manifestantes pacíficos e agredir pessoas em meio a uma oração é uma profunda violação da dignidade e um ataque direto aos direitos democráticos”, assinalou.

Israel lançou sua guerra genocida contra Gaza em 8 de outubro de 2023, com o apoio político e militar do governo dos Estados Unidos, assassinando mais de 72.032 pessoas – 600 mortas após o último cessar-fogo em outubro de 2025 – e deixando mais de 170 mil feridos, cerca de seis mil amputadas – grande parte crianças.

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