
Com o respaldo de dezenas de sindicalistas de todo o mundo, a dirigente da Internacional dos Serviços Públicos, Susana Barria, e o coordenador político da Confederação Sindical das Américas, Iván González, ressaltam que a decisão neste domingo (31) “é entre avançar com Cepeda ou retroceder”
LEONARDO WEXELL SEVERO, DE BOGOTÁ/COLÔMBIA
Dezenas de lideranças sindicais de todo o mundo acompanham neste domingo (31) as eleições presidenciais da Colômbia, “em meio a uma batalha política que opõe a democracia e o fascismo”, assinalou o presidente da Central Unitária de Trabalhadores (CUT), Fábio Arias, na sede do Pacto Histórico, em Bogotá, na manhã deste sábado (30).
“Isso significa atender às demandas populares, respaldando o governo de Gustavo Petro – elegendo o presidente Iván Cepeda e sua vice, a líder indígena Aída Quilcué – ou retrocedermos ao poder da oligarquia e do grande capital financeiro nacional e internacional”, apontou Arias. Em outras palavras, sintetizou o dirigente, “o voto na extrema-direita representaria a ruptura democrática, com a vingança sangrenta contra os setores populares, como já o fizeram Álvaro Uribe (2002-2010) e Iván Duque (2018-2022)”.
Na avaliação do coordenador político da Confederação Sindical das Américas (CSA), as eleições colombianas necessitam ser acompanhadas e valorizadas, uma vez que, com o custo de centenas de milhares de mortos, foi superado “um processo de genocídio e passamos a uma etapa de respeito e avanço dos direitos sociais e trabalhistas”.
Iván assegurou que são conquistas inquestionáveis para a democracia e a soberania que, apesar das suas limitações, “deixam um saldo extremante para toda a nossa América Latina”. “É um governo progressista que consolida políticas públicas e fortalece discursos e práticas anti-imperialistas”, disse.
“FISCALIZAR FRENTE AOS RISCOS DE UMA INTERVENÇÃO DOS EUA”
De acordo com a dirigente da Internacional dos Serviços Públicos (ISP), Susana Barria, entidade que representa mais de 20 milhões de trabalhadores de 163 países, é essencial o acompanhamento do processo eleitoral colombiano, “particularmente diante dos riscos de uma intervenção dos Estados Unidos”. O fato, frisou, “é que com a vitória de Cepeda, mais do que uma integração, temos a perspectiva de uma consolidação estratégica entre a Colômbia, o Brasil e o México, as principais economias da região, o que é algo que nos impulsiona”.
Entre as principais conquistas do governo Petro (2022-2026), Susana citou o aumento do salário-mínimo de 23,7% neste último ano (contra um reajuste de 5,2%) e a negociação aberta pelo Estado para resolver processos setoriais de formalização, melhorando a qualidade de vida de uma expressiva parcela da classe trabalhadora. “A nova reforma trabalhista também se reconheceu as ‘Mães Comunitárias’ como trabalhadoras de utilidade pública – com o acesso a direitos – o que possibilitem acesso a um salário-mínimo e benefícios sociais completos”, acrescentou.
As Mães Comunitárias são agentes educativos do Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF) encarregadas de proporcionar cuidados abrangentes na primeira infância (crianças entre 18 meses e 5 anos de idade) em setores vulneráveis.
Ainda citando ganhos, recordou a dirigente da ISP, encontra-se a implementação do Acordo de Paz, porque o aumento da segurança nas áreas rurais levou ao crescimento do turismo “não se limitando à construção de hotéis imensos por transnacionais, mas o acesso a zonas distantes, com o fortalecimento de pequenos estabelecimentos hoteleiros, ecológicos e comunitários”.
“NECESSIDADE DA REINDUSTRIALIZAÇÃO”
Segundo a dirigente, é necessária a reindustrialização urgente de setores como o energético, a fim de que o Estado “não fique dependendo somente da Ecopetrol” – maior empresa da Colômbia, com forte atuação no setor de petróleo, gás, transporte de combustíveis e geração de energia – e passe a diversificar a sua economia, desenvolvendo seu imenso potencial.
Questionada sobre o embate com a oposição, Susana Barria crê que embora o conteúdo seja o mesmo, há diferença na forma como as candidaturas do milionário Abelardo de la Espriella – notório apoiador de Donald Trump – e a senadora uribista Paloma Valencia se apresentam. “Enquanto de la Espriella encarna os votos da extrema-direita, neoliberal, com relações de exploração nas áreas rurais e tem forte apoio das igrejas evangélicas mais reacionárias, há resistência quanto à Valencia por ser mulher e ter como vice um homossexual. Os eleitores de la Espriella não vão votar numa mulher e num gay, da mesma forma que os de Valencia não votarão num evangélico. A grande incógnita, é claro, é até onde irá a intervenção dos EUA, algo que foge do nosso controle”, apontou.
Por tudo o que foi exposto, concluíram irmanados os dirigentes sindicais, “a Colômbia vai às urnas para consolidar um projeto de desenvolvimento e paz”.
Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, além de vários contribuintes anônimos

