
Brasil e Espanha classificaram detenção como ilegal; ativistas foram interceptados em águas internacionais durante missão de ajuda a Gaza
Israel deportou neste domingo (10) o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, detidos havia mais de uma semana após a interceptação de uma flotilha humanitária que seguia rumo à Faixa de Gaza.
Os dois foram levados para Israel depois da operação realizada pela Marinha israelense em águas internacionais, próximo à costa da Grécia.
Ávila e Abu Keshek integravam a flotilha Global Sumud, organizada para romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e entregar ajuda humanitária ao território palestino. Segundo os governos do Brasil e da Espanha e a organização jurídica Adalah, que representou os ativistas, a abordagem ocorreu fora da jurisdição israelense e violou o direito internacional.
Em publicação na rede X, o ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou, de forma cínica, que “os dois provocadores profissionais” foram deportados após o encerramento das investigações.
O governo israelense não voltou a apresentar publicamente provas das acusações de “pertencimento a organização terrorista” e “contato com o inimigo”, utilizadas para justificar a manutenção dos dois ativistas na prisão por mais de uma semana.
A detenção gerou reação diplomática internacional. Brasil e Espanha divulgaram nota conjunta afirmando que a operação israelense constituiu uma “ação flagrantemente ilegal” e uma “afronta ao direito internacional”. A ONU também pediu a libertação imediata dos ativistas.
Após a libertação, a Adalah afirmou que Thiago Ávila e Abu Keshek foram submetidos a “isolamento total” e “condições punitivas” durante a prisão no centro de detenção de Shikma, na cidade israelense de Ascalão.
Segundo a organização, os dois passaram por interrogatórios prolongados, sofreram abusos psicológicos e permaneceram sob iluminação intensa permanente nas celas.
Os ativistas iniciaram greve de fome durante o período de detenção. Segundo a defesa, Abu Keshek intensificou o protesto ao também recusar água a partir de 5 de maio. Israel negou as acusações de maus-tratos.
Durante audiência judicial, a advogada Hadeel Abu Saleh argumentou que os ativistas estavam sob jurisdição italiana no momento da interceptação porque a embarcação navegava sob bandeira da Itália. O governo italiano chegou a condenar publicamente a detenção dos integrantes da missão.
A Global Sumud havia partido da Europa com o objetivo de levar ajuda humanitária à população de Gaza, território submetido a bloqueio israelense.
Desde o início da guerra, em outubro de 2023, organizações humanitárias e agências internacionais denunciam agravamento da fome, destruição da infraestrutura civil e restrições severas à entrada de alimentos, medicamentos e combustível no enclave palestino.
LUCAS TOTH/VERMELHO
