
Em debate pela internet, os jovens Yuval Peleg e Yona Roseman explicaram por que preferiram ir à prisão em Israel a combater o povo palestino
LEONARDO WEXELL SEVERO
De forma sucinta, Yuval Peleg, de 18 anos, e Yona Roseman, de 19, responderam à convocatória do evento “Jovens israelenses recusam servir ao Exército e explicam por quê”, realizado nesta quinta-feira (12) à tarde no Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo: “porque sionismo é repressão, genocídio e apartheid”.
Descrevendo todo tipo de perseguição que sofreu por estar ao lado das comunidades palestinas, fazendo ouvir a voz dos que são segregados, Yona Roseman recordou que iniciou “lutando contra o governo sionista de Benjamin Netanyahu e o apartheid há algum tempo”, mas que a tensão foi aumentando nos últimos anos. “Quando chegou o 7 de outubro de 2023 e o genocídio, aumentou a opressão do povo palestino na Cisjordânia, em Gaza e dentro da própria Israel, e aí descobri o quanto a violência estava intrínseca na dinâmica desta dominação e intolerância”, relatou.
“A polícia me deteve oito vezes”, denunciou Yona, contando que chegou a ser mantida em solitária durante 23 horas por dia ao longo de até três semanas. Afinal, era necessário que servisse como exemplo e os jovens respondessem à lógica irracional do governo, ávido por banhos de sangue. No caso da população palestina encarcerada, “que são cerca de 10 mil presos em Israel, a situação é muito mais grave”, asseverou, porque simplesmente não tem acesso a direitos.
RETÓRICA NAZISTA DAS LIDERANÇAS SIONISTAS
Yuval Peleg disse que só muito recentemente “antes de servir” foi que começou a adquirir consciência da dimensão dos problemas e, portanto, do significado do seu ativismo. “Mas a partir das imagens de 7 de outubro não conseguimos mais ficar parados diante de toda aquela retórica nazista das lideranças sionistas”, frisou o jovem, descrevendo que, ao se confrontar com tudo aquilo, começaram as ameaças.

“Há poucos dias fizeram uma manifestação em Telavive em que apareceram poucas pessoas e em cinco minutos já foram dispersadas pela polícia. Um ativista foi preso e submetido a humilhações e torturas”, informou Peleg, para quem vai ficando claro que “o fascismo está se aprofundando, reduzindo a liberdade de expressão”. “Como eu já afirmei em vários atos: o sionismo é uma doença e Israel é um Estado terrorista”, afiançou.
O vice-presidente do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo e editor internacional do jornal Hora do Povo, Nathaniel Braida, apontou que “a consciência supremacista, colonialista e de apartheid de Israel tenta passar o agressor como vítima buscando justificar e, portanto, legitimar, os crimes mais hediondos cometidos contra os palestinos”. Primeiro judeu a se negar a chacinar os árabes na guerra do Yom Kipur (1973), Braia reiterou a importância dos jovens se rebelarem: “nos dão esperança de futuro”.
“LUTAMOS CONTRA A OPRESSÃO DO POVO JUDEU”
Judeu antissionista e membro do coletivo Vozes Judaicas, Alex Deloya defendeu a multiplicação de eventos como este por todo o país, para ampliar a consciência do que está em jogo nesta guerra. “Lutamos contra a opressão do povo judeu, pois o sionismo se utiliza da falsa narrativa de que é a garantia de nossa segurança. Isso precisa ser desmascarado”, enfatizou.
Saudando a iniciativa das entidades, bem como a determinação de Yuval e Yoná de enfrentarem com coragem “a opressão do estado colonial de Israel”, o secretário-geral da Confederação Palestina Latino-Americana e do Caribe (Coplac), Emir Mourad salientou que “só pode haver paz justa e verdadeira quando cessarem a agressão, a ocupação e a política de guerra impostas pelo regime sionista e pelo imperialismo estadunidense, hoje novamente expostas na ofensiva contra o Irã”. Para Mourad, “enquanto esse eixo de violência seguir atacando povos soberanos e sustentando a impunidade de Israel, falar em paz será apenas encobrir a continuidade da injustiça”.
Dirigindo-se aos jovens israelenses, o presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, assegurou que “jamais permitiremos que alguns dos nossos façam o que fizeram os piores de vocês com nossas mulheres, filhos e idosos”. “Palestina livre! Brasil soberano! Judaísmo sem o sionismo”, concluiu.
Entre outras entidades participaram da organização do evento, realizado no auditório Vladimir Herzog, do SJSP, Messarvot, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Museu da Igualdade (Paraná), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Agência de Notícias Aressala.
Assista a íntegra do evento
