
SUCESSÃO DE ESCÂNDALOS
Em dezembro passado, José Jerí foi flagrado por câmeras realizando uma reunião do lado de fora do palácio com empresários chineses em um restaurante de chifa, um tipo de comida chinesa muito popular no Peru, no bairro de San Borja, em Lima. As imagens que desencadearam a crise política o identificaram entrando no estabelecimento com um capuz. Semanas depois, vários meios de comunicação denunciaram que o presidente havia recebido no Palácio de Governo a um grupo de mulheres que posteriormente foram beneficiadas com contratos pelo Estado. Algumas delas apresentaram sua renúncia após a divulgação do escândalo. O encontro em 11 de janeiro com o empresário chinês Zhihua Yang, também conhecido como “Johnny”, proprietário de vários negócios no Peru e que recebeu uma concessão estatal para um projeto de energia, não foi registrado na agenda oficial. O programa Quarto Poder informou que outro empresário chinês, Xiaodong Ji Wu, também visitou o Palácio de Governo até em três ocasiões desde a chegada de Jeri acompanhado por Zhihua Yang – apesar de estar em prisão domiciliar por seu envolvimento numa rede ilegal de tráfico internacional de madeira conhecida como “Os hostis da Amazônia”.FUJIMORI FEZ DE TUDO PARA RESPALDAR JERI
Quem fez de tudo para defender o comprovadamente corrupto foi a candidata da extrema-direita presidente Keiko Fujimori. “Acreditamos que pressionar por um processo de impeachment ou censura é um ato de irresponsabilidade e só trará mais instabilidade política ao país”, declarou Fujimori, para quem “esta possibilidade de mudança vai gerar incertidão e caos”. Na avaliação de Gerónimo López Sevillano, secretário-geral da Conderação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP), que compõe a frente ampla de oposição de “Agora Nação” em apoio a Affonso López Chau e Luis Villanueva Carbajal, à presidência e à vice. Sevillano resgata a proximidade com Carbajal, atual presidente da CGTP e dirigente da Federação de Trabalhadores da Construção Civil do Peru, para levar ainda mais adiante temas relevantes do sindicalismo. “Lamentavelmente é uma situação extremamente complicada. Tamanha sequência de atos de corrupção não dão a mínima confiança de governantes que só têm traído e exigem de nossa parte uma resposta rápida aos problemas da população”, afirmou Gerónimo. De acordo com o sindicalista, isso fez com que categorias mais organizadas como a da construção civil se mobilizassem junto a um conjunto de movimentos sociais para “consolidar a campanha do Agora Nação, fortalecendo uma alternativa para derrotar a direita e construir um futuro de paz e justiça social”.“CAMINHO É INDUSTRIALIZAR O PERU”, DEFENDE A CGTP
De acordo com Gerónimo, o que está em jogo é a “industrialização do Peru, a fim de gerar emprego e renda, rompendo as amarras da dominação estrangeira e da dependência que tanto nos empobrece”. “Queremos uma Constituinte para fundar uma Nova República com respeito aos direitos trabalhistas, com atenção aos direitos essenciais básicos como água, saúde, saneamento e energia, pois precisamos de hospitais e medicamentos para a população que sofre”, destacou. Neste contexto, concluiu, se insere “a luta frontal contra a corrupção” que contamina as estruturas de poder, numa “extorsão” sem limites e que, lamentavelmente, vem se repetindo ano após ano em benefício da exploração transnacional e do grande capital. HORA DO POVO