Nicolás Maduro | Foto: Jesus Vargas/Getty Images

A Venezuela anunciou neste domingo (26) a captura de um grupo de “mercenários” vinculados à CIA, em meio à chegada de um navio de guerra norte-americano a Trinidad e Tobago.

Em comunicado oficial, o governo de Nicolás Maduro denunciou que está “em curso um ataque de falsa bandeira” a partir das águas fronteiriças ou do território trinitário, “para gerar um confronto militar completo contra a Venezuela”.

A acusação foi assinada pela vice-presidente Delcy Rodríguez e se soma a uma série de alertas emitidos por Caracas desde o início do mês, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter autorizado novas operações secretas da CIA no país.

O destróier USS Gravely (DDG-107) chegou a Porto de Espanha, capital de Trinidad e Tobago, para realizar exercícios conjuntos com as Forças de Defesa locais.

O governo trinitário afirmou que a missão busca “reforçar a luta contra o crime transnacional e construir resiliência através de capacitação, atividades humanitárias e cooperação em segurança”.

Caracas, porém, classificou a operação como “provocação militar coordenada com a agência de inteligência norte-americana”, advertindo que o deslocamento do navio ocorre “em um momento de alta tensão e risco para a paz regional”.

As acusações da Venezuela foram acompanhadas de uma nova ofensiva verbal contra o governo trinitário. Rodríguez acusou a primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar de “renunciar à soberania nacional” e “converter o território de Trinidad e Tobago em um porta-aviões dos Estados Unidos para a guerra em todo o Caribe”.

O comunicado também reivindica solidariedade dos países latino-americanos, argumentando que o episódio “representa um ataque à autodeterminação de toda a América do Sul”.

O movimento militar faz parte de uma escalada de Washington na região. O Pentágono enviou, na última sexta-feira (24), o grupo do porta-aviões USS Gerald Ford para reforçar as operações navais no Caribe e no Pacífico.

Desde setembro, os Estados Unidos já realizaram dez bombardeios contra embarcações acusadas de tráfico de drogas, com um saldo de 43 mortos — incluindo, segundo a AFP, dois cidadãos trinitários.

Em declarações recentes, Trump afirmou que “não tolerará regimes hostis que ameacem a segurança hemisférica”, repetindo a retórica de intervenção usada em 2019 contra Maduro.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter oferecido a Trump “ajudar na relação com a Venezuela” para manter a “América do Sul como zona de paz”. “Coloquei para Trump o tema da Venezuela e disse que a situação está se agravando. É extremamente importante levar em conta que o Brasil pode ajudar na relação com a Venezuela”, declarou o petista.

O episódio reforça o clima de cerco militar em torno da Venezuela e reacende o debate sobre a política externa norte-americana para a América Latina.

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